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sexta-feira, 29/08/2025

Homem chama ex-gerente de hotel de opressor por humilhar colegas

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Em Brasília

Um ex-funcionário do B Hotel, que decidiu permanecer anônimo, revelou detalhes sobre o comportamento do ex-gerente-geral, Alfredo Stefani Neto, 64 anos, que foi denunciado por ofender e discriminar os trabalhadores em um hotel de luxo em Brasília.

Embora não tenha sido vítima direta, ele presenciou várias situações em que o gerente atacava verbalmente seus subordinados. “Eu trabalhava perto da sala dele. Embora ele nunca tenha me maltratado, escutava gritos e barulhos de batidas na mesa, indicando seu comportamento hostil com outros gerentes sob sua supervisão”, conta o ex-funcionário.

Segundo ele, Alfredo agia de forma agressiva principalmente com aqueles que tinham posições de maior responsabilidade, como gerentes que recebiam salários e bônus maiores.

Durante reuniões diárias, os gerentes eram obrigados a deixar seus celulares em uma caixa para evitar gravações do que era dito pelo ex-gerente.

Em uma ocasião, em uma confraternização, Alfredo elogiou uma gerente afirmando que ela era “muito competente mesmo sendo nordestina”. Além disso, durante reformas no setor administrativo, apelidou um buraco na sala da mesma gerente com um termo de conotação sexual.

O comportamento discriminatório também incluía homofobia. Alfredo desdenhava de festas LGBTQIA+ realizadas próximo ao hotel e criticava hóspedes pertencentes a essa comunidade, além de ter sido desrespeitoso com uma mulher transexual que se hospedou no local.

“Os funcionários não tinham respeito por ele. Eu, pessoalmente, tinha medo. Ele criava um ambiente opressor e imprevisível, sempre havendo receio de quando seria a próxima vítima de seu mau humor”, desabafa o ex-funcionário.

Mesmo após sua saída, relatos indicam que o comportamento do ex-gerente continuou até sua demissão.

Investigação e denúncia

O Ministério Público do Distrito Federal denunciou Alfredo por ofensas e discriminações motivadas por preconceitos raciais, regionais, de orientação sexual e identidade de gênero contra pelo menos nove pessoas entre 2022 e 2025.

A Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação concluiu as investigações, relatando insultos como “nordestina burra” e comentários depreciativos à hóspede transexual.

A Justiça do Distrito Federal aceitou a denúncia e o caso será levado a julgamento, com pena prevista de até 10 anos de prisão se condenado.

Perfil do acusado

Alfredo Stefani Neto, paulista, possui mais de 30 anos de experiência na hotelaria, tendo atuado em diversos locais no Brasil e no exterior. Ele estava no B Hotel desde junho de 2022 até ser demitido em janeiro deste ano.

Posicionamento do B Hotel

O B Hotel, em nota, informou que assim que tomou conhecimento das denúncias, afastou imediatamente o funcionário e realizou uma investigação interna rigorosa. Após comprovar os fatos, optou pela demissão, afirmando que o comportamento não condiz com os valores da empresa que prezam pela diversidade e inclusão.

Além disso, o hotel implementou várias ações para aprimorar seus controles e políticas internas, como a contratação de consultorias especializadas em diversidade, treinamentos obrigatórios abordando vieses implícitos, respeito às diferenças e promoção de um ambiente de trabalho livre de discriminação, além da criação de canais de denúncia.

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