Entre 2015 e 2024, o Brasil registrou mais de 300 mil casos de hanseníase, conforme divulgado pelo Ministério da Saúde.
Dos casos reportados, 79% foram novos diagnósticos, colocando o país em segundo lugar no mundo, atrás apenas da Índia.
O ano de 2015 teve o maior número de notificações, com 28.758 casos, enquanto 2020 registrou o menor, com 17.979, uma baixa influenciada pela pandemia de covid-19.
Em 2024, aproximadamente 22 mil casos foram registrados, com 72% concentrados entre pessoas pretas e pardas. Os estados de Mato Grosso e Tocantins tiveram as maiores taxas de diagnóstico.
As regiões Norte e Centro-Oeste apresentam as maiores incidências da doença.
Desafios
A hanseníase é uma doença crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae e está ligada a condições de vulnerabilidade social.
Muitos diagnósticos são feitos tardiamente. Cerca de 11,5% dos casos novos foram identificados em estágio avançado, quando o paciente já possui sequelas.
O abandono do tratamento é um problema crescente, com taxa aumentando de 4,6% em 2015 para 7,3% em 2024.
Transmissão
A doença é transmitida pelo ar, através de tosse, espirro ou fala de pessoas infectadas que ainda não começaram o tratamento. A transmissão ocorre apenas em contato próximo e prolongado; não se transmite por roupas ou abraços.
O diagnóstico precoce, o tratamento correto e a investigação de pessoas próximas ao paciente são fundamentais para prevenção, segundo o Ministério da Saúde.
Sintomas
O período de incubação é, em média, de dois a sete anos, podendo o paciente não apresentar sintomas nesse tempo.
Quando aparecem, os sintomas incluem:
- Manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas na pele, com perda de sensibilidade ao calor, frio, dor ou toque;
- Alterações nos nervos periféricos, afetando sensibilidade e movimento;
- Redução de pelos e suor;
- Formigamento ou fisgadas nas mãos e pés;
- Perda de sensibilidade ou força muscular em face, mãos ou pés;
- Surgimento de nódulos pelo corpo, por vezes dolorosos.
Sem tratamento adequado, a hanseníase pode causar lesões graves e incapacidades permanentes.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é realizado por exame físico, dermatológico e neurológico. Em crianças, pode ser mais difícil identificar.
Em 2024, 4,1% dos casos foram em menores de 15 anos, indicando transmissão recente e ativa, conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
O tratamento disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) inclui uma combinação de três medicamentos chamada poliquimioterapia única, sem necessidade de internação.
Em casos especiais, como pacientes com baixo peso ou que usam anticoncepcionais, o SUS oferece tratamentos alternativos.
O tempo de tratamento varia entre seis meses e um ano, dependendo da forma da doença.
