O grupo Hamas anunciou sua disposição para encerrar seu governo na Faixa de Gaza e transferir a gestão do território para uma autoridade palestina tecnocrática independente, conforme parte do acordo de cessar-fogo com Israel. A declaração foi feita pelo porta-voz do grupo, Hazem Qassem, no domingo (11/1).
“Após a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a intenção de criar um Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, o Movimento Hamas orientou todos os seus órgãos e instituições governamentais a se prepararem para transferir suas responsabilidades a esse conselho”, afirmou o porta-voz durante uma transmissão televisiva.
A dissolução do governo do Hamas, que controla Gaza desde 2007 após eleições locais, e a formação de uma nova administração fazem parte do plano de paz apresentado por Trump.
Esse plano, que inclui 20 pontos, prevê a mudança na administração interna de Gaza como parte da segunda fase do acordo — que ainda não foi iniciada, mesmo com o cessar-fogo vigente desde o ano passado. Nessa etapa, também está previsto o desarmamento do Hamas.
Espera-se que o acordo avance após o Hamas entregar o corpo do único refém ainda em Gaza.
No final de novembro de 2025, o governo da Turquia, outra parte envolvida nas negociações, anunciou que a lista do comitê palestino que administrará Gaza durante o período de transição foi aprovada.
Segundo Ancara, esse órgão será não político e irá supervisionar os serviços básicos do território palestino, incluindo eletricidade, abastecimento de água, assistência humanitária e distribuição de alimentos.
Apesar do cessar-fogo, Israel continuou realizando operações pontuais em Gaza. De acordo com o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas, mais de 350 palestinos — em sua maioria civis — perderam a vida desde o início da trégua.
