Hamas e Israel voltaram a se reunir indiretamente nesta segunda-feira (7) no Catar para tentar firmar um cessar-fogo na Faixa de Gaza, enquanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, viaja a Washington para atender uma convocação do presidente Donald Trump.
As conversas, que começaram no domingo em Doha, buscam estabelecer um acordo para acabar com 21 meses de conflito e negociar a troca de reféns vivos e mortos por presos palestinos mantidos em Israel.
Um porta-voz palestino informou que as negociações prosseguirão no dia de hoje, mas até a tarde não havia confirmação sobre o início das conversas.
Donald Trump afirmou no domingo que existe a perspectiva de um acordo ainda esta semana. Segundo ele, muitos reféns já foram libertados, e os que restam provavelmente sairão em breve.
Antes de partir para Washington, Netanyahu declarou que seu encontro com Trump poderá ser fundamental para avançar nas negociações.
Trump defende um cessar-fogo em Gaza, região que enfrenta uma crise humanitária severa após quase dois anos de guerra iniciada pelo ataque do Hamas em outubro de 2023.
Netanyahu detalhou que enviou sua equipe a Doha com ordens claras de buscar um acordo conforme as condições combinadas, embora tenha criticado a resposta do Hamas por conter exigências que considerou inaceitáveis.
Fontes palestinas próximas às negociações indicaram que a proposta inclui uma trégua de 60 dias, durante a qual seriam libertados 10 reféns israelenses e vários cadáveres em troca da soltura de prisioneiros palestinos.
No entanto, o Hamas pede condições adicionais, como garantias contra retomada dos combates durante as negociações e a retomada do sistema da ONU para distribuição de ajuda humanitária.
O presidente israelense, Isaac Herzog, afirmou que Netanyahu tem uma missão importante em Washington para tentar garantir a volta de todos os reféns.
O encontro entre Trump e Netanyahu está marcado para as 18h30, horário local de Washington, sem a presença da imprensa.
Dos 251 sequestrados durante o ataque do Hamas em outubro, 49 permanecem em cativeiro e acredita-se que 27 estejam mortos.
Esforços anteriores conseguiram apenas tréguas temporárias e trocas de reféns por prisioneiros palestinos, mas as negociações mais recentes não avançaram devido à recusa de Israel em aceitar um cessar-fogo prolongado.
A Defesa Civil relatou 12 mortes em ataques israelenses em Gaza nesta segunda-feira, embora o acesso limitado à região impeça a verificação independente desses dados.
“Estamos perdendo jovens, famílias e crianças todos os dias. Isso precisa acabar”, declarou Osama al Hanawi, morador de Gaza.
Desde o ataque do Hamas, 1.219 pessoas morreram em Israel, majoritariamente civis, enquanto mais de 57.500 palestinos, em sua maioria civis, faleceram na ofensiva israelense, segundo dados oficiais e autoridades da ONU.
A guerra agravou a situação humanitária em Gaza, que abriga mais de dois milhões de habitantes, conforme alertas de organizações internacionais.
