DOUGLAS GAVRAS
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS)
O ministro Fernando Haddad inicia a quarta-feira (2) em Buenos Aires com o objetivo de suavizar divergências com autoridades argentinas antes da participação do presidente Lula na Cúpula do Mercosul, a qual segue até quinta-feira (3).
O ministro da Fazenda estará presente às 8h30 em uma reunião com seus colegas dos países membros do bloco econômico, além dos presidentes dos bancos centrais dessas nações.
Posteriormente, ele terá um encontro bilateral com o ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, solicitado pelo governo argentino.
Desde que o ultraliberal Javier Milei assumiu o poder na Argentina em dezembro de 2023, a relação entre ele e Lula tem sido distante. O presidente brasileiro participará da sessão restrita aos chefes de Estado na quinta-feira (3), dia em que o Brasil assumirá a presidência temporária do Mercosul, de julho a dezembro, sucedendo a Argentina.
Durante o encontro, os países membros — Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e a recente adesão da Bolívia — devem ratificar a decisão de ampliar a lista de produtos excluídos da Tarifa Externa Comum (TEC) em 50 itens.
Essa tarifa aplicada a produtos importados de fora do bloco visa estimular o comércio interno entre as nações signatárias, mas a flexibilização atendeu a uma solicitação do governo Milei, que considera o Mercosul uma ‘prisão’ e demonstra interesse em negociar diretamente com os Estados Unidos.
Com essa ampliação, um total de 150 códigos tarifários poderão ter cobrança flexibilizada.
“Essa aprovação simboliza uma concessão do governo brasileiro ao pedido da Argentina, motivada em parte pela situação global relacionada às tarifas e ao comércio internacional”, esclareceu a embaixadora Gisela Padovan, secretária para América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, durante entrevista concedida na última semana.
A Argentina pediu esse aumento que, com base em parâmetros sugeridos pelo Brasil, deve ser formalmente aprovado já na próxima cúpula.
Na agenda da reunião do Mercosul estão também discussões sobre acordos comerciais com a União Europeia e com a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), composta por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Ambos os acordos incluem exigências reforçadas para proteção ambiental.
Na segunda-feira (30), a Comissão Europeia comunicou que apresentará em breve o texto legal do acordo de livre comércio com o Mercosul, dando início à análise e debate para ratificação.
Embora inicialmente previsto para antes do final de junho, o documento não foi divulgado para análise até o momento.
Quanto à EFTA, conforme confirmado recentemente pela coluna Painel S.A., o acordo com o Mercosul está prestes a ser concluído. Essa iniciativa ampliaria o acesso dos produtos dos países do Mercosul a cerca de 14,9 milhões de consumidores em vários países europeus, cujo Produto Interno Bruto conjunto é estimado em US$ 1,4 trilhão.
Em março, especialistas dos blocos se encontraram para uma rodada de negociação liderada pela Argentina. Segundo os porta-vozes do Mercosul, essa reunião se deu depois de um intenso intercâmbio técnico nos meses anteriores, avançando nas discussões para o fechamento dos acordos.

