FELIPE MENDES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (13), durante uma entrevista em que confirmou sua candidatura nas próximas eleições, que não mudaria suas ações durante seu período à frente do Ministério da Fazenda.
Ele deve oficializar sua saída do cargo, que ocupa desde janeiro de 2023, na próxima semana.
Em entrevista ao programa 20 Minutos, do portal Opera Mundi, Haddad avaliou seu tempo na pasta e rejeitou o rótulo de “taxador” dado por opositores.
“Nenhum progressista poderá acusar este governo de injustiça, pois, quando necessário, cobramos de quem não pagava impostos”, disse, destacando ter focado em classes antes isentas, como proprietários de fundos offshore, dividendos e apostadores.
“Fizemos essas mudanças e, na minha visão, não faria nada diferente”, assegurou.
O ministro deve ser substituído por Dario Durigan, atual secretário-executivo da Fazenda. Haddad comentou que deixa o ministério em “boas mãos”.
Na entrevista, ele projetou crescimento do PIB entre 0,8% e 1% no primeiro trimestre, mas ressaltou que crescimento anual acima de 2% dependerá da taxa de juros. A diretoria do Banco Central se reunirá em breve para decidir a Selic, atualmente em 15% ao ano.
“Acredito que a economia do Brasil pode crescer entre 0,8% e 1% neste primeiro trimestre. As mudanças no crédito e medidas para manter a demanda estão mantendo a estabilidade”, afirmou Haddad.
“Estou tranquilo quanto às previsões fiscais.”
Sobre a alta dos preços do petróleo devido ao conflito no Irã, o ministro não demonstrou preocupação significativa. Apesar do impacto inflacionário, o aumento pode resultar em maior arrecadação para o governo, já que o Brasil é grande produtor de petróleo.
“Com a alta do petróleo, naturalmente haverá aumento na arrecadação”, explicou.
Na quinta-feira (12), o presidente Lula (PT) assinou medida provisória zerando PIS e Cofins sobre o diesel, estabelecendo subvenção a produtores e importadores e criando imposto sobre exportação de petróleo.
Haddad acredita que o crescimento continuará com as reformas recentes e que a reforma tributária, que entrará em vigor no próximo ano, impulsionará ainda mais o PIB. Contudo, alertou para o cenário cauteloso devido à inflação mais baixa dos últimos quatro anos.
Durante a entrevista, que durou mais de duas horas, o ministro também falou sobre seu livro “Capitalismo Superindustrial”, lançado em janeiro pela editora Zahar.
Haddad não confirmou se será candidato ao governo de São Paulo, onde possivelmente enfrentaria o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Ele explicou que planejava ajudar na elaboração do plano de governo para a reeleição do presidente Lula, mas as mudanças no cenário político o fizeram optar por sair do ministério.
“Nesses três meses conversando com o presidente, o cenário piorou. O céu não está tão azul quanto imaginava no fim do ano passado. Estou dialogando com o presidente e devo deixar o Ministério na próxima semana”, concluiu Haddad.
