Fernando Haddad, ministro da Fazenda, afirmou que o aumento do conflito no Oriente Médio não deve afetar a queda da taxa Selic, que está prevista para começar em março. Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano, a maior desde 2006. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central confirmou que reduzirá os juros caso a inflação fique controlada e não ocorram surpresas na economia.
Em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, na terça-feira (3), Haddad disse que é cedo para prever mudanças no plano de cortes, mesmo com as incertezas trazidas pelo conflito. Ele afirmou que a equipe econômica está preparada para várias situações, como guerras, eventos climáticos, pandemias ou disputas comerciais.
O ministro destacou que o Brasil está bem preparado para enfrentar as consequências desse conflito, graças à produção de petróleo, especialmente do pré-sal pela Petrobras, reservas de moeda estrangeira, falta de dívida externa e uso de energia limpa. “O Brasil não depende de petróleo, pois é um dos maiores produtores do mundo”, disse.
O conflito começou no sábado (28), com ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que mataram o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. O Irã respondeu atacando bases americanas no Oriente Médio e Israel, e anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota importante para o transporte de petróleo, ameaçando destruir navios que tentarem passar.
Haddad afirmou que guerras afetam a economia, mas ressaltou que o Brasil deve reconhecer sua força. Ele relacionou o conflito à tentativa dos EUA e Israel de conter a expansão econômica da China, que é parceira do Irã no comércio de petróleo. Segundo o ministro, a China preocupa os EUA, e ações parecidas já ocorreram na Venezuela, com um ataque americano ao presidente Nicolás Maduro em janeiro.
“Tudo isso está ligado à China, tanto na Venezuela quanto no Irã, e ao petróleo, porque a China importa cerca de 11 a 12 milhões de barris por dia”, explicou Haddad. Ele sugeriu que seria melhor promover mais cooperação econômica e diálogo entre os países.
O Ministério das Relações Exteriores da China manifestou muita preocupação com os ataques, pedindo o fim imediato das ações militares, respeito à soberania do Irã e o retorno das negociações para manter a paz na região. Especialistas acreditam que essas agressões têm como objetivo mudar o governo em Teerã para frear a influência chinesa e fortalecer o domínio de Israel no Oriente Médio.
