O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o principal motivo da dívida pública alta do Brasil são os juros reais elevados, e não o excesso de gastos do governo. Ele comentou, em entrevista ao programa UOL News, que nos últimos dois anos o governo diminuiu o déficit primário em 70%. Segundo ele, “o problema da dívida é o juro real, não o déficit, que está caindo”.
Haddad ressaltou que a meta para o resultado fiscal deste ano é ainda mais rígida do que nos anos anteriores. Mesmo com algumas exceções como o reembolso de descontos errados no INSS, o déficit de 2023 ficou em 0,48% do PIB, muito menor que a previsão de mais de 1,6% no governo anterior.
Sobre a taxa básica de juros, a Selic, que está em 15%, o ministro entende que há espaço para baixa. Ele elogiou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e destacou a boa gestão na crise do Banco Master, problema herdado da administração anterior.
Haddad sugeriu ampliar as atribuições do Banco Central para que ele também regule fundos de investimento, que atualmente são responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ele afirmou que muitas dessas atividades deveriam estar sob o controle do Banco Central, pois isso impacta as finanças públicas.
Quando questionado sobre o apelido ‘Taxad’, dado a ele nas redes sociais por aumentar impostos, Haddad afirmou que sente orgulho de ser lembrado como o ministro que, nos últimos 30 anos, taxou offshores, fundos familiares fechados, paraísos fiscais e dividendos, afetando bancos, apostas e bilionários.
Por fim, ele disse que a economia não deve ser o principal foco nas próximas eleições presidenciais no Brasil ou no mundo, já que temas como segurança pública e combate à corrupção são mais importantes para os eleitores. Haddad também contou que não pretende disputar nenhum cargo público nas próximas eleições e que está discutindo o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
*Com informações da Agência Brasil
