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sábado, 21/03/2026




Haddad aproveita crescimento econômico mas enfrenta desafios fiscais

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EDUARDO CUCOLO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Durante quase 1.200 dias no comando do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad teve como maior desafio a questão fiscal, que também foi o ponto mais frágil de sua gestão. Esse cenário começou já na transição do governo, quando foi aprovada uma proposta que abriu espaço no Orçamento para aumentar os gastos públicos.

Análises feitas com base em indicadores econômicos mostram que, enquanto governos anteriores enfrentaram recessões ou crescimento lento desde 2014, Haddad lidou com uma economia que cresceu cerca de 3% ao ano, impulsionada por estímulos fiscais.

O desemprego caiu para o menor nível dos últimos anos, e a inflação voltou a ficar próxima da meta, mesmo com juros altos.

A Bolsa de Valores subiu aproximadamente 80% nesse período, atingindo recordes, enquanto o dólar ficou longe dos R$ 6,00 verificados em momentos críticos da gestão e, antes da guerra no Irã, abaixo dos R$ 5,28 registrados no final de 2022.

Por outro lado, os indicadores fiscais não evoluíram da mesma forma. A dívida bruta cresceu significativamente, repetindo o que ocorreu nas gestões anteriores de Dilma e Temer entre 2015 e 2018, apesar da carga tributária estar em níveis recordes. A dívida bruta do Brasil fechou 2025 em 78,7% do PIB, contra 71,58% no começo do governo Lula.

Os impostos foram tema de muitos conflitos entre o ministro, o Congresso e empresários. Em alguns casos, só com a decisão do STF o governo avançou nessa pauta.

O primeiro anúncio importante na gestão Haddad foi em janeiro de 2023, com um pacote de medidas fiscais focadas em corte de despesas e aumento de arrecadação.

Em março, ele apresentou a proposta do novo arcabouço fiscal, que substituiu o Teto de Gastos para tentar controlar o crescimento das despesas, projeto aprovado meses depois.

A boa relação com o Congresso garantiu a aprovação da reforma tributária e a elevação da nota de crédito do Brasil pela agência S&P ao final daquele ano. Na época, o dólar atingiu o valor mais baixo do governo, R$ 4,73.

Em 2024, a revisão das metas fiscais gerou reação negativa no mercado financeiro, com a queda do Ibovespa e o dólar superando os R$ 6,00, após anúncio de medidas para conter gastos públicos e aumentar isenção do Imposto de Renda.

O governo também implementou cortes em benefícios fiscais. Após meses de negociação, houve acordo para o fim gradual da desoneração da folha de pagamentos e de benefícios criados na pandemia, embora parte de medidas provisórias tenha sido rejeitada pelo Legislativo.

No início de 2025, com mudanças no comando do Congresso, as divergências aumentaram. Quando o governo elevou o IOF sobre operações financeiras, a medida foi derrubada pelos parlamentares, com o STF interferindo e decidindo parcialmente a favor da Fazenda.

No segundo semestre, o ministro obteve vitórias importantes: aprovação da Lei do Devedor Contumaz, projetos que cortam benefícios fiscais, avanço na regulamentação da reforma tributária e reforma do Imposto de Renda, promessa da campanha Lula.

Poucos dias antes de deixar o cargo, Haddad defendeu a reformulação dos gastos sociais do governo e a política fiscal adotada, afirmando ter reduzido em 70% o déficit primário em comparação à projeção feita no Orçamento de 2023 pelo ex-ministro Paulo Guedes, citado como referência econômica da candidatura Flávio Bolsonaro à Presidência.

A pedido do presidente Lula, Haddad deixa o ministério para disputar o governo de São Paulo contra o atual governador Tarcísio de Freitas, com o objetivo de ajudar a fortalecer os votos para Lula em uma possível disputa contra o filho mais velho do ex-presidente.




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