TOMÁS BRAGA
FOLHAPRESS
O Ministério do Turismo do Brasil criou um guia para ajudar mulheres que viajam sozinhas a se sentirem mais seguras. O material tem 72 páginas e está disponível em português, inglês e espanhol. Ele também traz resultados de entrevistas com 2.721 mulheres sobre como elas se sentem ao viajar sozinhas.
Das mulheres entrevistadas, 62,1% já desistiram de viajar sozinhas por medo da falta de segurança, e 60,6% já passaram por situações que as deixaram inseguras durante suas viagens solo.
Esse medo é ainda maior entre mulheres pretas, pardas e indígenas, com 65,35% desistindo de viajar sozinhas por não se sentirem seguras. Além disso, 64,8% dessas mulheres inseguras não procuraram ajuda de instituições.
O guia, lançado em março, orienta desde como planejar a viagem até o que fazer no dia a dia. Entre as dicas, está a recomendação de compartilhar a localização em tempo real com pessoas confiáveis e evitar contar para estranhos que estão viajando sozinhas.
Segundo o Ministério do Turismo, 4 em cada 10 mulheres já viajaram sozinhas, e mais de 30% desse grupo faz isso com frequência. O objetivo do guia é reconhecer os diferentes tipos de viajantes e oferecer suporte para elas.
O maior receio dessas mulheres é sofrer violência física ou sexual.
A maioria das mulheres que viajam sozinhas tem entre 33 e 45 anos (34,6%), e os principais motivos para viajar são lazer, autoconhecimento e independência.
O guia é parte de um esforço maior que inclui o Movimento Turismo que Protege e o Código de Conduta Brasil, que atuam para evitar a exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo. Também destaca o protocolo “Não é Não”, que protege mulheres em eventos com bebidas alcoólicas.
O Ministério do Turismo reforça que a segurança não é responsabilidade só da mulher viajante, mas de toda a cadeia do turismo.

