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quinta-feira, 26/03/2026

Guerra pode aumentar preço dos combustíveis, mas Brasil está seguro

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NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

O conflito no Irã não traz riscos significativos de falta de combustíveis no Brasil, mas gera pressão sobre a Petrobras devido ao aumento do preço do petróleo no mercado internacional logo após o começo da guerra.

A Petrobras já estava vendendo o diesel com preços muito abaixo do valor internacional desde meados de 2025 e pode precisar reajustar os preços se o valor do petróleo continuar alto por mais tempo, conforme opinião de especialistas.

Na abertura do mercado na segunda-feira (2), o preço nas refinarias da Petrobras estava R$ 0,73 mais baixo por litro do que o valor de importação calculado pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

Esta é a maior diferença desde janeiro de 2025, quando a Petrobras fez o último aumento no preço do diesel, que foi de R$ 0,22 por litro, após uma defasagem superior a R$ 0,80 por litro.

A Petrobras ainda não se pronunciou sobre o assunto. A empresa costuma aguardar a estabilização dos preços internacionais antes de fazer reajustes, principalmente em períodos de instabilidade.

Na segunda-feira (2), o conflito também afetou o mercado de ações no Brasil. Por volta do meio-dia, as ações preferenciais da Petrobras subiram 3,94%, sendo negociadas a R$ 40,86; estas ações dão prioridade no recebimento de dividendos, mas não dão direito a voto. Durante o pregão, chegaram a R$ 41,53, alta de 5,59%.

Analistas do Brasil e do exterior afirmam que a influência nos preços dependerá do tempo e intensidade do conflito, especialmente se o Estreito de Hormuz for fechado por muito tempo.

Por este estreito, cerca de um quinto do petróleo produzido no mundo passa, a maior parte destinada a grandes consumidores asiáticos, como China e Índia.

Marcus D’Elia, sócio da Leggio Consultoria, diz que espera muita variação nos preços internacionais mas que o preço do barril deve ficar controlado pela oferta maior que a demanda.

Ele acredita que um conflito de até dez dias manteria o preço do barril entre US$ 80 e US$ 100 temporariamente, já que os principais compradores do Oriente Médio têm estoques para substituir de 100 a 200 dias de importação.

“Se a interrupção no estreito durar até 40 dias, outras regiões como EUA e União Europeia também poderiam usar seus estoques, reduzindo a pressão e controlando o aumento dos preços.”

O Brasil, que é exportador de petróleo, não depende do Estreito de Hormuz para garantir combustível. O país importa diesel principalmente dos Estados Unidos e da Rússia, conforme o presidente da Abicom, Sérgio Araújo.

“Não vejo risco para o abastecimento,” ele diz. “A pressão maior está na Petrobras, pois a defasagem dos preços está alta.”

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