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domingo, 15/02/2026

Grupo do Comando Vermelho tentou cobrar taxa para acessar praias afastadas de Paraty

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YURI EIRAS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

Um grupo que afirma fazer parte do Comando Vermelho tentou cobrar taxas para acessar praias afastadas na costa de Paraty, município localizado a 236 km do Rio de Janeiro, mostrando uma expansão da facção na região.

Moradores e turistas denunciaram o caso à Polícia Militar.

A cobrança não era feita diretamente aos turistas, mas sim aos barqueiros que os levam das praias centrais de Paraty para as mais distantes. Assim, os barqueiros seriam obrigados a aumentar o preço do transporte, repassando parte do valor ao grupo.

Um policial familiarizado com a situação explicou que uma viagem que normalmente custa R$ 50 poderia passar para R$ 65.

A notícia sobre esta tentativa de cobrança, motivada pelo maior movimento de turistas no fim do ano, circulou entre as comunidades da costa de Paraty em dezembro.

No dia 30, moradores protestaram e informaram a Polícia Militar sobre a extorsão, que aumentou o policiamento nas praias, como a praia do Sono. Segundo moradores, a cobrança foi interrompida temporariamente.

Desde o início do ano, equipes de policiais têm monitorado as praias para impedir que novas taxas sejam impostas.

Também há relatos de cobranças ilegais em estacionamentos e comércios locais.

No dia 13, após reportagem mostrar a expansão do Comando Vermelho em Paraty, a 2ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), responsável pelo policiamento na cidade, solicitou a compra de uma embarcação a motor para melhor acesso às áreas costeiras.

O comandante da companhia explicou que Paraty possui várias enseadas, ilhas e áreas de difícil acesso, citando a praia do Sono, que fica a uma hora e meia da base da PM por terra.

Um policial responsável pelo policiamento contou que no fim do ano passado, policiais tiveram que caminhar por cinco horas até Ponta Negra para tentar cumprir um mandado de prisão contra um suspeito de tráfico do Comando Vermelho. A tentativa de prisão falhou, pois o suspeito fugiu pela mata.

Antes, a PM tentou usar uma embarcação emprestada, que virou devido ao mar agitado.

Em nota, a Polícia Militar informou que no dia 14 iniciou operações repressivas em toda Paraty, incluindo ações nas praias com o uso de embarcações para apoio logístico.

Na próxima segunda-feira (19), o governador Cláudio Castro deve visitar o município para discutir segurança pública e entregará novos veículos, lanchas e motos aquáticas para a polícia local.

De acordo com dados da PM, 243 suspeitos foram presos na região em 15 meses, e a criminalidade caiu no segundo semestre de 2025 comparado ao mesmo período de 2024.

A prefeitura de Paraty disse que está ciente das supostas extorsões na praia do Sono e comunicou a Polícia Militar solicitando providências.

“Até o momento, foram recebidos relatos preliminares que estão sendo analisados e encaminhados às autoridades competentes”, afirmou a gestão do prefeito Zezé Porto (Republicanos).

Policiais afirmam que o Comando Vermelho tem se deslocado para ilhas e enseadas distantes devido às operações policiais. A ilha das Cobras, próxima ao centro histórico, é considerada a base da facção na cidade.

As denúncias de tráfico de drogas em Paraty aumentaram quase cinco vezes entre 2022 e 2025, passando de 33 para 152, segundo o Disque Denúncia.

Os dados mostram crescimento especialmente a partir de 2024.

A região de Trindade, uma das mais afetadas pela atuação da facção, registrou 45 denúncias de tráfico em 2025, contra apenas duas em 2022.

Também aumentaram as denúncias de extorsão, que incluíram cobranças indevidas em estacionamentos e taxas aos barqueiros. Em 2022, foram duas denúncias e em 2025, 25.

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