Uma estratégia coordenada de intimidação, assédio coletivo e linchamento virtual funciona todos os dias para calar qualquer pessoa que questione as ações da médium Maira Rocha. Esse grupo digital, formado por seguidores fervorosos da líder espiritual, realiza ataques organizados contra jornalistas, pesquisadores, políticos e cidadãos comuns.
O objetivo é impedir denúncias e prejudicar a reputação daqueles que questionam a autenticidade das cartas psicografadas pela mulher responsável pela Casa de Caridade Inácio Daniel, em Águas Claras.
Um boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) detalha o relato de um homem que recebeu diversas mensagens ameaçadoras por vários canais, como redes sociais, WhatsApp, e-mail e telefonemas. A vítima enviou as provas para as autoridades, que investigam possíveis crimes de perseguição. Situação semelhante ocorreu com uma idosa que questionou uma carta psicografada e passou a ser atacada nas redes sociais.
Um político residente em Brasília também foi alvo do grupo digital. Após denunciar uma suposta fraude espiritual envolvendo uma carta falsa de sua falecida mãe, ele sofreu intenso assédio e ameaças, principalmente depois que o caso foi publicado pelo Metrópoles. As mensagens recebidas foram agressivas e o homem repassou registros para a polícia, que investiga os fatos.
Além disso, jornalistas da TV Globo e pesquisadores que questionam Maira Rocha também foram perseguidos e processados. O assédio ultrapassa o limite do debate público e se torna uma ameaça real.
Investigações em andamento
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) instaurou uma Notícia de Fato após receber denúncias formais contra Maíra Alexandrina (nome civil da médium). A polícia civil está conduzindo um inquérito para apurar os fatos e identificar os responsáveis, que podem ser penalmente responsabilizados.
Ex-frequentadores do centro espírita de Águas Claras afirmam que as cartas de Maira Rocha contêm erros e imprecisões, muitas vezes copiadas de informações disponíveis nas redes sociais das famílias em luto. O processo seria gratuito, mas há relatos de que dados pessoais são coletados a partir do livro de visitas da Casa de Caridade para buscas digitais preliminares.
Com as investigações em curso, as autoridades buscam identificar os perfis falsos e os operadores do grupo digital que utilizam a coação para proteger o esquema.
Posição da médium
Em resposta à imprensa, Maira Rocha afirmou que não deseja manter contato com o veículo e que quaisquer questões serão tratadas exclusivamente na Justiça. Ela declarou que as publicações recentes distorcem os fatos e causam danos à sua honra e imagem, bem como assegurou que as responsabilidades serão apuradas judicialmente.
