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quarta-feira, 25/03/2026

Gripen brasileiro: primeiro caça supersônico fabricado no país

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IGOR GIELOW
Gavião Peixoto, SP (FolhaPress)

O Brasil está prestes a apresentar oficialmente seu primeiro caça supersônico feito no país, o Saab Gripen E, resultado da parceria entre a fabricante sueca Saab e a empresa brasileira Embraer. A linha de produção foi inaugurada há quase três anos.

Com isso, o Brasil se junta a outros 14 países que fabricam esses aviões que ultrapassam a velocidade do som, cerca de 1.225 km/h ao nível do mar.

O Gripen brasileiro será mostrado ao presidente Lula e a outras autoridades na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, município a cerca de 300 km de São Paulo. A montagem levou mais de um ano de trabalho.

Dos 36 caças adquiridos em 2014, 15 serão produzidos na unidade local. Na Força Aérea Brasileira (FAB), recebe a designação F-39.

Embora o Brasil faça algumas partes da estrutura do avião, o mais importante é o conhecimento adquirido na integração de sistemas e na transferência de tecnologia, com cerca de 60 programas envolvendo diversas empresas.

Esse é um marco em um processo longo e caro que começou há mais de uma década. Desde 2014, o programa Gripen consumiu cerca de R$ 16,75 bilhões, sendo que o valor original do contrato equivale hoje a R$ 29,5 bilhões.

Até agora, 11 dos 36 aviões foram entregues, consumindo 57% do orçamento inicial. O contrato teve 12 aditivos devido ao aumento dos custos típicos do desenvolvimento de tecnologia avançada.

O Gripen atualmente é da terceira geração do modelo, essencialmente um produto novo. A FAB estima que o custo extra poderia comprar mais seis aviões até 2025.

O programa está atrasado oito anos; a previsão inicial era que todos os aviões estivessem em operação em 2024, porém agora a expectativa é para 2032.

Do ponto de vista tecnológico, o avanço é comparável ao que a Embraer conseguiu nos anos 1980 ao participar do projeto do avião de ataque AMX, que permitiu aprender a produzir aviões a jato.

Esse conhecimento foi vital para o desenvolvimento do jato regional ERJ-145, que ajudou a Embraer a se recuperar após a crise da privatização em 1994.

Atualmente, cerca de 350 engenheiros e técnicos brasileiros foram treinados na Suécia e estão aptos a trabalhar com tecnologias supersônicas, softwares sofisticados e sistemas de guerra eletrônica.

A Embraer foi fundamental no projeto da versão de dois lugares, o Gripen F, que é produzido na Suécia atualmente. A produção inicialmente prevista para o Brasil teve que ser transferida devido a prazos e custos.

Embora a transferência tecnológica seja ampla, não é completa, pois alguns componentes, como o motor fabricado pela empresa americana GE, requerem licenças específicas que impedem a cópia.

O Gripen é avançado em integração de dados e comunicação com outros aviões e radares, como o Embraer R-99. A FAB tem acesso total aos sistemas, o que não foi oferecido por concorrentes na época, como o francês Rafale e o americano F/A-18.

Hoje, é o caça mais moderno da América Latina. Outro supersônico na FAB é o antigo F-5M americano, modernizado, mas baseado em um projeto dos anos 1950 adquirido nos anos 1970.

Desde o início do ano, após testes com lançamentos de mísseis e disparos de canhão, o Gripen começou a cumprir sua função principal: defender o centro político do país a partir da base de Anápolis (GO), próxima a Brasília.

O primeiro caça chegou ao Brasil em 2020 durante a fase de testes. O modelo produzido no Brasil deve iniciar voos nas próximas semanas, com um pequeno atraso em relação ao cronograma original.

Além da produção dos sete aviões restantes em Gavião Peixoto, a fábrica mira o mercado internacional. A vitória do Gripen na Colômbia pode trazer uma encomenda de 17 caças para serem montados no Brasil.

Um revés recente foi a desistência do Peru de adquirir o modelo sueco, optando pelo F-16 americano. A decisão foi tomada pelo presidente interino José Balcázar, que deixará o cargo em julho, mantendo a expectativa de negociação aberta.

A escala de produção é essencial para o sucesso do programa, que deve manter os aviões operando até 2060, segundo a Saab. A FAB também negocia a compra de um segundo lote para ampliar a frota para pelo menos 50 aviões, embora sem recursos confirmados.

Outra possibilidade é adquirir 12 aviões da geração anterior, o Gripen C/D, que a Suécia tem 96 unidades. O desafio é substituir os AMX em Santa Maria (RS), que estão obsoletos, e evitar recorrer a caças usados como o F-16 americano.

Ao final, o Gripen substituirá os 23 AMX e os 40 F-5 restantes da FAB, colocando o Brasil entre os países que produzem ou montam aviões supersônicos com variados níveis de autonomia tecnológica, como EUA, Rússia, China, França, Suécia, Reino Unido, Alemanha, Espanha, Itália, Índia, Paquistão, Turquia, Japão e Coreia do Sul.

Essa lista inclui desde países que dominam toda a cadeia de fabricação e projeto, incluindo motores, até aqueles que apenas montam aviões sob licença.

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