Após 1.280 dias de paralisação, os funcionários da Avibras Indústria Aeroespacial concordaram com o pagamento da dívida trabalhista da empresa, que soma R$ 230 milhões.
A tradicional fábrica de equipamentos bélicos do Brasil, situada em Jacareí, São Paulo, deve voltar a funcionar normalmente em abril, encerrando um período de três anos sem produção regular. A greve começou em 9 de setembro de 2022.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, o pagamento será feito em parcelas que vão de 12 a 48 vezes, dependendo do salário de cada trabalhador. Ao todo, cerca de 1,4 mil empregados receberão valores atrasados.
Para reiniciar as operações, a direção da Avibras planeja dispensar 850 funcionários atualmente registrados, quitar as dívidas conforme o parcelamento e recontratar 450 trabalhadores. O processo de demissão e novas contratações acontecerá entre março e abril, conforme informado pelo sindicato.
Em comunicado, a Avibras ressaltou que a aprovação do acordo pelos trabalhadores é um passo importante para a recuperação da empresa. Outro ponto decisivo foi a rejeição pelo Tribunal de Justiça dos recursos contra a homologação do Plano de Recuperação Judicial.
A companhia está em fase de transição, preparando o retorno das atividades e implementando o plano de recuperação, focado em manter sua atuação no setor de defesa e aeroespacial.
A Avibras entrou com pedido de recuperação judicial em março de 2022, enfrentando uma crise financeira com dívidas que chegam a R$ 600 milhões. Naquela ocasião, foram anunciadas 420 demissões, suspensas pela Justiça depois de ação do sindicato.
A fábrica terá nova direção. João Brasil Carvalho Leite, o antigo proprietário, foi removido em 25 de julho de 2025, após decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que aprovou a transferência de 99% das ações para o Brasil Crédito Gestão Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, credor da empresa.
A Avibras é uma empresa brasileira privada com mais de 50 anos de experiência. Ela desenvolve tecnologias para defesa e áreas civis, como sistemas de lançamento de mísseis, foguetes guiados, motores para a Marinha e a Força Aérea Brasileira, além de veículos blindados.
Informações obtidas da Agência Brasil
