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domingo, 31/08/2025

Governo usa patriotismo para enfrentar tarifas de Trump

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Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a imposição de tarifas de 50% sobre importações de produtos brasileiros, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta em resgatar o patriotismo como forma de resposta à ofensiva norte-americana e de aliados do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL).

Os primeiros sinais dessa movimentação foram percebidos em um evento do presidente no Espírito Santo, no dia 11 de julho, o primeiro desde o início do conflito com os EUA. Lula apareceu usando um boné com a frase “O Brasil é dos Brasileiros”, criada pelo ministro da Secretaria de Comunicação do Planalto, Sidônio Palmeira. Logo depois, Lula posou para fotos segurando a bandeira nacional.

Além disso, o discurso do presidente se concentrou quase que totalmente na crise com os Estados Unidos. Durante sua fala, Lula criticou Bolsonaro e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pela articulação com o governo Trump para implementar sanções contra o Brasil. Ele afirmou que lutará para revogar a taxação e, caso ela permaneça, aplicará a Lei da Reciprocidade.

“Este país não vai abaixar a cabeça para ninguém. Ninguém vai nos intimidar com discursos ou bravatas. Acredito que teremos o apoio do povo brasileiro, que não aceita provocações”, declarou Lula.

Desde o início do mandato, Donald Trump tem ameaçado o mundo com tarifas comerciais, dando atenção especial ao bloco Brics e ao Brasil. Ele chegou a anunciar que aplicaria taxas de até 100% aos países do bloco que não cedessem aos interesses comerciais dos Estados Unidos.

Depois de sair em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, alegando que o Brasil não estaria sendo justo no comércio bilateral, o que é contestado.

Em contrapartida, nas redes sociais, apoiadores têm promovido uma campanha para resgatar símbolos nacionais que, nos últimos anos, foram associados ao bolsonarismo. O Partido dos Trabalhadores lançou a campanha “Defenda o Brasil”, usando as cores verde e amarelo e a bandeira nacional em suas peças publicitárias, atribuindo a responsabilidade pela taxação a Bolsonaro.

O presidente do PT, senador Humberto Costa (PE), destacou que o partido tem aumentando sua presença nas redes sociais, especialmente após discussões sobre justiça tributária e tarifas. Ele também chamou a atenção para a atuação de Eduardo Bolsonaro junto ao governo americano em busca de sanções contra o Brasil.

O deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), secretário Nacional de Comunicação do PT, afirmou que a campanha visa mostrar a influência do bolsonarismo na taxação americana e seu objetivo de pressionar o Judiciário brasileiro. Ele também criticou governadores aliados de Bolsonaro que celebraram inicialmente a sobretaxa imposta por Donald Trump.

O professor Daniel Dubosselard Zimmermann, da USP, avalia que o PT utiliza a mesma tática comunicacional da extrema direita, ao centralizar um “inimigo único”, invertendo o discurso bolsonarista sobre patriotismo para apontar o bolsonarismo como responsável pelo conflito.

Para o cientista político João Feres, da UERJ, a estratégia do PT é previsível e aponta contradições no discurso nacionalista do bolsonarismo, uma vez que as medidas de Trump prejudicam setores importantes do Brasil, inclusive aqueles que apoiaram intensamente Bolsonaro.

O professor Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, ressalta que o governo Lula ganha força com a campanha de enfrentamento, utilizando uma narrativa “nós contra eles” para recuperar símbolos do patriotismo que estavam associados ao bolsonarismo, deslocando-os para a esquerda e progressistas.

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