Fábio Pupo
Folhapress
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva está preocupado que o programa Gás do Povo, que paga botijões de gás periodicamente para até 15 milhões de famílias, não tenha muita participação das revendas. Por isso, estão planejando aumentar o orçamento do programa, que é uma das estratégias para as eleições de 2026.
A participação das revendas é voluntária, e o governo tem percebido que a adesão está mais baixa do que esperavam. Um dos principais problemas é o preço do botijão, que varia de estado para estado e alguns revendedores acham pouco atraente. Também há resistência política de alguns setores privados.
Dados mostram que a adesão varia bastante entre cidades: por exemplo, em Fortaleza, 71% das revendas aderiram ao programa, enquanto em Goiânia, apenas 34% fizeram isso.
Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigas), afirmou que o valor que o governo paga é fundamental para convencer as revendas a participarem. Algumas revendas preferem não aderir, o que é uma escolha legítima, mas ele acredita que, com o tempo, mais pontos deverão aderir conforme o programa for conhecido.
O governo planeja ajustar o valor pago para compensar o aumento do imposto estadual (ICMS) sobre o gás, que subiu de R$ 1,39 para R$ 1,47 por quilo desde o início de 2026. Este ajuste é importante para que as revendas participem e executem o programa corretamente.
Atualmente, o orçamento previsto do Gás do Povo para 2026 é de R$ 4,7 bilhões, após o Congresso reduzir o valor enviado pelo governo, que era de R$ 5,1 bilhões. O Ministério de Minas e Energia considera aumentar essa verba para R$ 5,8 bilhões para atender todos os beneficiários do Bolsa Família.
A pasta destaca que 1.600 revendas já estão cadastradas em dez capitais, e a maioria das famílias contempladas tem uma revenda autorizada próxima de casa, facilitando o acesso ao benefício.
O programa funciona assim: o beneficiário retira o botijão de gás na revenda autorizada, e esta recebe o pagamento em até dois dias pela Caixa Econômica Federal. O objetivo é substituir o Auxílio Gás, pois o governo observou que o benefício antigo estava sendo usado para outras despesas que não o gás.
Para participar, a família precisa estar no Cadastro Único e ter renda mensal per capita de até meio salário mínimo, com prioridade para beneficiários do Bolsa Família e famílias maiores.
O número de recargas anuais varia entre quatro e seis botijões, conforme o tamanho da família. Os primeiros pagamentos começaram em novembro de 2025, e a expectativa é que o programa esteja completamente implementado até março.
