Em meio à tensão crescente entre Brasil e Estados Unidos após a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA, o governo brasileiro orienta cautela. O senador, do partido PL, deixou o país depois de perder as eleições para Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. O Palácio do Planalto e o Itamaraty pedem que o caso não seja usado para criar conflitos políticos.
Flávio Bolsonaro partiu para os Estados Unidos no dia 28 de outubro, desrespeitando uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que havia proibido sua saída do Brasil. A Polícia Federal alertou sobre o risco do senador fugir, pois ele está sob investigação por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A Casa Branca informou que o Departamento de Estado concedeu vistos para Flávio Bolsonaro e sua família permanecerem nos EUA, onde já reside seu irmão, Eduardo Bolsonaro. A ação foi vista como um gesto do governo americano em relação à família Bolsonaro.
Entretanto, fontes diplomáticas afirmam que esta situação é exclusiva do Poder Judiciário brasileiro e que o executivo e a diplomacia devem se manter afastados do caso para evitar tensões desnecessárias com os EUA.
Eduardo Bolsonaro também está nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, após deixar seu cargo na Câmara dos Deputados, e cumpre pena por coação no curso do processo, conduta que envolveu sanções norte-americanas contra autoridades brasileiras.
A relação entre Brasil e Estados Unidos já enfrentava dificuldades por conta de políticas econômicas e acusações feitas pelo ex-presidente Donald Trump sobre fraudes nas eleições brasileiras. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva vê a manutenção de uma boa relação diplomática como um desafio importante para seu novo mandato.
A permanência de Flávio Bolsonaro nos EUA pode ainda fortalecer a oposição brasileira no exterior, fato que preocupa o Palácio do Planalto, especialmente por causa dos vínculos entre a família Bolsonaro e autoridades da Casa Branca, incluindo o Departamento de Estado.

