O Ministério da Saúde começou a disponibilizar um novo medicamento, a tafenoquina pediátrica de 50 mg, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Brasil é o primeiro país a oferecer este tratamento para crianças que pesam entre 10 kg e 35 kg. Até agora, o remédio era dado apenas para jovens e adultos a partir de 16 anos. As crianças representam metade dos casos de malária no país.
Serão distribuídos 126.120 comprimidos, com um investimento de R$ 970 mil, começando pelas áreas da região Amazônica, como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). O primeiro local a receber o remédio é o DSEI Yanomami, que vai receber 14.550 comprimidos. Outras regiões com muitos casos, como Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões, também receberão o medicamento, pois concentram metade dos casos em crianças e jovens até 15 anos.
A distribuição iniciou na segunda-feira, dia 2, e o Ministério da Saúde está treinando profissionais de saúde, começando com 250 profissionais nos DSEI prioritários. Weibe Tapeba, secretário de Saúde Indígena, destacou o investimento em remédios eficazes e fáceis de usar para diminuir os casos de malária e superar a situação emergencial na saúde.
A tafenoquina pediátrica foi incorporada ao SUS pela Portaria nº 64, de 15 de setembro de 2025, após ser aprovada pela Anvisa. Este remédio é indicado para tratar a malária causada pelo Plasmodium vivax, que responde por mais de 80% dos casos no Brasil. A tafenoquina é dada em uma única dose, o que facilita o tratamento, elimina completamente o parasita e evita que a doença volte. Este medicamento não deve ser usado por grávidas ou em período de amamentação. Antes, o tratamento durava até 14 dias, o que dificultava para as crianças completarem o tratamento.
Mariângela Batista Galvão Simão, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, ressaltou a importância de levar o medicamento às comunidades indígenas para diminuir a transmissão da doença. Com essa cobertura, estima-se que até 20 mil casos poderiam ser evitados.
A malária é um grande problema na região Amazônica, especialmente em áreas afastadas e indígenas. Em 2024, o território Yanomami foi o primeiro a receber tafenoquina de 150 mg para pessoas maiores de 16 anos. Entre 2023 e 2025, nesse território, os testes aumentaram 103,7%, os diagnósticos 116,6% e os óbitos caíram 70%.
Em 2025, o Brasil teve o menor número de casos de malária desde 1979, com uma redução de 15% em relação a 2024, e de 16% nas áreas indígenas. Os casos causados pelo Plasmodium falciparum caíram 30%. Esta ação faz parte do Programa Brasil Saudável e segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), incluindo a ampliação dos testes rápidos e a distribuição de mosquiteiros tratados com inseticida.
