NICOLA PAMPLONA E FELIPE MENDES
FOLHAPRESS
O setor de combustíveis e o transporte avaliaram que as ações do governo para controlar o custo do diesel não são suficientes. Eles reclamam que o desconto de R$ 0,64 por litro, que inclui isenção de PIS/Cofins e subsídios, não cobre a diferença entre o preço da Petrobras e o valor internacional.
Na manhã de quinta-feira (12), o preço do diesel nas refinarias da Petrobras estava R$ 1,61 abaixo do valor do diesel importado, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
Wallace Landim, líder de caminhoneiros, destacou que é preciso envolver também os governadores estaduais para discutir a isenção do ICMS, imposto que hoje representa R$ 1,17 por litro, ou cerca de 19% do preço final ao consumidor. Ele é presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, entidade que ameaçou greve caso o governo não agisse contra a alta dos combustíveis.
Landim comentou que, especialmente no Centro-Oeste, o preço do diesel subiu mais de 25% nas últimas semanas, mas a Petrobras não aumentou seus preços. Distribuidoras e revendedoras estariam repassando o aumento do diesel importado, mesmo sem aumento da Petrobras.
A maior refinaria privada do país, Acelen, já reajustou o preço do diesel três vezes desde o começo do mês. Ainda, importadoras privadas enfrentam dificuldades devido à defasagem dos preços da Petrobras, o que pode impactar o abastecimento do diesel, produto acionado pela guerra.
O Brasil importa cerca de 25% do diesel consumido, metade pela Petrobras e metade por empresas privadas que têm menor flexibilidade para controlar os preços. Com as recentes medidas, essas empresas podem importar diesel com desconto de R$ 0,64, mas o preço permanece acima do praticado pela estatal.
