RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
O governo do estado de Minas Gerais aplicou uma multa de R$ 1,7 milhão à mineradora Vale e ordenou a paralisação das operações em duas de suas minas devido a vazamentos de água com sedimentos que ocorreram no último domingo (25) nas cidades de Ouro Preto e Congonhas, localizadas na região central do estado.
A Secretaria de Meio Ambiente afirmou que impôs as multas por causa dos danos ambientais causados e problemas no sistema de drenagem, agravados pelo grande volume de chuvas na região. A paralisação das atividades foi tomada como medida preventiva e não tem prazo para terminar.
A Prefeitura de Congonhas já havia suspendido temporariamente o alvará de funcionamento da Vale. Na mina de Viga, em Congonhas, a suspensão afeta toda a operação. Na mina de Fábrica, em Ouro Preto, a suspensão se aplica somente à cava 18.
A Vale informou que recebeu a notificação e que irá se manifestar às autoridades competentes.
Em comunicado, a empresa disse que os vazamentos foram controlados, que ninguém ficou ferido e que não houve impacto para a população. A companhia ressaltou que os incidentes não estão relacionados às barragens, que permanecem estáveis e monitoradas.
A Vale também declarou que não houve vazamento de rejeitos de mineração, apenas água com sedimentos, e que realiza inspeções e manutenções regularmente, intensificadas durante o período de chuvas. As causas dos vazamentos estão sendo investigadas.
A Secretaria de Meio Ambiente identificou, durante uma fiscalização, um vazamento de água com sedimentos na mina de Fábrica, estimado em 262 mil metros cúbicos, que atingiu áreas internas da empresa CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e causou assoreamento de cursos d’água.
Na mina de Viga, técnicos constataram um deslizamento natural que provocou o lançamento de sedimentos no córrego Maria José e no rio Maranhão. A extensão total dos danos ainda está sendo avaliada pelos técnicos no local.
O governo estadual também destacou a demora da empresa em informar o acidente. A Defesa Civil estadual afirmou que não foi notificada pela Vale e solicitou que a empresa apresente um relatório detalhado explicando a falta de comunicação.
A mineradora deverá implementar medidas emergenciais, como a limpeza das áreas atingidas.
Gustavo Endrigo, superintendente de Fiscalização Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, afirmou que “a empresa deve iniciar imediatamente o monitoramento das águas ao redor para acompanhar a situação e apresentar um plano para recuperar as áreas degradadas”.
