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domingo, 01/02/2026

Governo Lula organiza Coaf para reforçar combate a crimes financeiros

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Em Brasília

NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está planejando reformular o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para fortalecer a fiscalização contra crimes financeiros, especialmente após vários desafios enfrentados pela instituição em 2025.

O projeto em análise inclui a criação de 66 novos cargos de confiança e a instalação de seis unidades regionais. Essa proposta foi enviada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao Ministério da Gestão, com um prazo de retorno de aproximadamente um mês.

Gabriel Galípolo destaca que o avanço das transações financeiras, que agora envolvem novas tecnologias como criptoativos e movimentações globais, exige uma atualização operacional e analítica do Coaf.

Desde 2019, quando o Coaf passou a ser vinculado ao Banco Central, suas responsabilidades aumentaram, exigindo maior capacidade para processar mais de 7,5 milhões de comunicados anuais.

Com a reforma, o total de cargos comissionados irá saltar de 75 para 141, sendo 48 para a sede e 18 para as novas unidades regionais.

O presidente do Banco Central também ressaltou a carência de funcionários efetivos e a alta rotatividade de servidores de outros órgãos, que prejudicam a formação de equipes técnicas especializadas e a eficiência operacional do Coaf.

A estrutura atual não atende mais às demandas legais, tecnológicas e operacionais no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, o que compromete a agilidade nas análises e na fiscalização.

Embora a criação desses cargos ocorra em ano eleitoral, a legislação permite a nomeação para funções de confiança, como as propostas.

A reestruturação acontece após o Banco Central endurecer normas para proteger o sistema financeiro nacional de ciberataques e infiltração do crime organizado, problemáticas que se intensificaram em 2025, especialmente após ações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) em setores como combustíveis e financeiro.

O Coaf está também sob investigação sigilosa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para apurar possível quebra de sigilo de integrantes da Corte e familiares.

As seis novas unidades regionais terão um coordenador-geral, dois coordenadores e oito servidores especializados. Elas terão funções como análise financeira, inteligência estratégica, fiscalização suplementar e cooperação com autoridades locais e federais.

As regiões escolhidas são Campo Grande (MS) e Foz do Iguaçu (PR), pela proximidade a rotas de tráfico; Recife (PE), devido à presença de facções criminosas; Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), por concentrarem muitas instituições financeiras; e Belém (PA).

Algumas dessas cidades já possuem sede do Banco Central, mas Campo Grande e Foz do Iguaçu ainda não contam com representação local.

A unidade do Rio de Janeiro também atende a uma decisão judicial para limitar operações policiais em favelas.

O investimento inicial para estruturação física, tecnológica e aquisição de equipamentos dessas unidades é estimado em R$ 2,49 milhões para 2026, com um custo anual de manutenção próximo de R$ 30,8 milhões, incluindo salários e despesas operacionais.

Espera-se que a reforma traga melhorias na análise de dados, governança e consolide uma política nacional integrada de inteligência financeira.

Gabriel Galípolo afirma que a proposta reforçará o papel do Coaf como autoridade central do sistema nacional de inteligência financeira, garantindo autonomia, estabilidade e capacidade técnica para combater o crime organizado de forma eficaz.

O aumento do quadro funcional e as unidades regionais fazem parte de um plano maior que inclui o uso de inteligência artificial para aprimorar a elaboração de relatórios de inteligência financeira. Ricardo Saadi, ex-diretor da Polícia Federal, assumiu o comando do Coaf no ano passado, prometendo investimentos para reforçar o órgão.

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