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sexta-feira, 20/03/2026




Governo exige explicação rápida sobre aumento nos preços dos combustíveis

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Em Brasília

ANDRÉ BORGES
FOLHAPRESS

As maiores distribuidoras de combustíveis no Brasil receberam um prazo de 48 horas para explicar ao Ministério da Justiça os motivos do aumento recente nos preços praticados.

O governo notou que os preços subiram de forma rápida e generalizada, antes mesmo dos impactos da guerra no Oriente Médio, e até em lugares onde os custos não tinham mudado.

A Vibra Energia, Raízen e Ipiranga, que juntas abastecem cerca de 60% do país, foram notificadas oficialmente para detalhar suas vendas e operações.

A Vibra, que antes era BR Distribuidora da Petrobras, é a maior do setor, com quase 22% do mercado. A Raízen, uma parceria Shell e Cosan, tem cerca de 15%, e a Ipiranga, do grupo Ultra, também tem aproximadamente 15%.

Essas empresas influenciam diretamente o preço para os consumidores, e o governo suspeita que parte do aumento pode ter sido exagerada, sem justificativa real em relação ao preço do petróleo ou à variação do câmbio.

Outra distribuidora, Larco Comercial, também foi notificada, mas pediu mais tempo para responder.

O governo quer dados sobre volumes vendidos, estoques, atrasos nas entregas e critérios de distribuição, além de informações sobre pedidos não atendidos.

A Raízen confirmou a fiscalização e disse que irá prestar os esclarecimentos necessários à Senacon, destacando seu compromisso com transparência e respeito às leis.

A Ipiranga explicou que os preços variam por vários fatores, incluindo importações, custos logísticos e condições regionais, e afirmou seu compromisso com a transparência e respeito ao consumidor.

A Vibra não comentou até o momento.

Além dessas, o governo vai monitorar outras distribuidoras e cidades prioritárias com suspeita de aumento abusivo do diesel, para investigar possível formação de cartel.

Segundo fontes do governo, a revisão dos dados visa combater a falta de transparência no setor, que costuma manter informações sobre preços e margens em sigilo por questões legais.

A Senacon também acionou o Cade para investigar infrações na concorrência. Procons de vários estados intensificaram fiscalizações e já aplicam multas em postos e distribuidoras.

A guerra no Oriente Médio tem aumentado a pressão para novos aumentos no preço do diesel, com o petróleo Brent chegando a US$ 119 por barril em ataques recentes, depois recuando para cerca de US$ 110.




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