ANDRÉ BORGES
FOLHAPRESS
As maiores distribuidoras de combustíveis no Brasil receberam um prazo de 48 horas para explicar ao Ministério da Justiça os motivos do aumento recente nos preços praticados.
O governo notou que os preços subiram de forma rápida e generalizada, antes mesmo dos impactos da guerra no Oriente Médio, e até em lugares onde os custos não tinham mudado.
A Vibra Energia, Raízen e Ipiranga, que juntas abastecem cerca de 60% do país, foram notificadas oficialmente para detalhar suas vendas e operações.
A Vibra, que antes era BR Distribuidora da Petrobras, é a maior do setor, com quase 22% do mercado. A Raízen, uma parceria Shell e Cosan, tem cerca de 15%, e a Ipiranga, do grupo Ultra, também tem aproximadamente 15%.
Essas empresas influenciam diretamente o preço para os consumidores, e o governo suspeita que parte do aumento pode ter sido exagerada, sem justificativa real em relação ao preço do petróleo ou à variação do câmbio.
Outra distribuidora, Larco Comercial, também foi notificada, mas pediu mais tempo para responder.
O governo quer dados sobre volumes vendidos, estoques, atrasos nas entregas e critérios de distribuição, além de informações sobre pedidos não atendidos.
A Raízen confirmou a fiscalização e disse que irá prestar os esclarecimentos necessários à Senacon, destacando seu compromisso com transparência e respeito às leis.
A Ipiranga explicou que os preços variam por vários fatores, incluindo importações, custos logísticos e condições regionais, e afirmou seu compromisso com a transparência e respeito ao consumidor.
A Vibra não comentou até o momento.
Além dessas, o governo vai monitorar outras distribuidoras e cidades prioritárias com suspeita de aumento abusivo do diesel, para investigar possível formação de cartel.
Segundo fontes do governo, a revisão dos dados visa combater a falta de transparência no setor, que costuma manter informações sobre preços e margens em sigilo por questões legais.
A Senacon também acionou o Cade para investigar infrações na concorrência. Procons de vários estados intensificaram fiscalizações e já aplicam multas em postos e distribuidoras.
A guerra no Oriente Médio tem aumentado a pressão para novos aumentos no preço do diesel, com o petróleo Brent chegando a US$ 119 por barril em ataques recentes, depois recuando para cerca de US$ 110.
