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sexta-feira, 20/03/2026




Governo é pressionado para agir contra crise na logística pela guerra

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Em Brasília

ANDRE BORGES E RICARDO DELLA COLETTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A guerra no Oriente Médio está causando dificuldades que preocupam vários setores do Brasil, que pedem ao governo ações rápidas para minimizar os problemas na economia e na logística.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi procurado pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) para discutir os impactos da guerra e apresentar pedidos ao governo. Entre as solicitações estão a redução de impostos sobre o transporte marítimo e a criação de linhas de crédito para ajudar as exportações e controlar o custo dos alimentos.

Recentemente, companhias aéreas também conversaram com o governo sobre os impostos do querosene de aviação (QAV). Há sugestões para que o QAV receba benefícios fiscais semelhantes aos do diesel, como diminuição de PIS e Cofins e possíveis subsídios.

A CNA pede que o governo isente totalmente um tributo chamado AFRMM (Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante), cobrado sobre o transporte marítimo de cargas. Esse tributo, que pode variar de 8% a 40%, encarece o frete especialmente para os insumos agrícolas importados.

Segundo João Martins da Silva Junior, presidente da CNA, essa medida é urgente e importante para proteger a economia brasileira, principalmente setores que geram emprego e exportações.

O AFRMM afeta diretamente a entrada de fertilizantes no país, um produto essencial para a agricultura do Brasil, que depende em grande parte da importação desses insumos. Com a guerra, o preço dos fertilizantes, como a ureia, subiu cerca de 35%, o que eleva o custo da produção agrícola e pode aumentar os preços dos alimentos.

A ABPA apresentou propostas para oferecer suporte financeiro às empresas exportadoras, pois a instabilidade geopolítica já afeta rotas marítimas fundamentais para o comércio global de alimentos, como o estreito de Hormuz e o Canal de Suez.

Devido a essas condições, as empresas de transporte marítimo têm mudado as rotas e operações para garantir segurança, o que aumenta os custos com frete, seguros e outras taxas.

Ricardo Santin, presidente da ABPA, informa que essas mudanças podem aumentar o tempo das viagens em até 15 dias e encarecer os custos operacionais.

A associação solicita a criação ou ampliação de linhas de crédito emergenciais, prazos maiores e mais flexibilidade nos financiamentos.

A ABPA destaca que o problema é temporário, causado por fatores externos, e que é necessária uma resposta rápida do governo para apoiar o setor.

Já a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) expressa preocupação com a alta e a instabilidade dos preços do petróleo causada por conflitos internacionais. O combustível de aviação (QAV) representa cerca de 30% dos custos das companhias aéreas, impactando os serviços e o acesso ao transporte aéreo.

Embora 80% do querosene seja produzido no Brasil, a associação reforça a necessidade de diálogo com o governo para reduzir os efeitos desses choques externos no setor aéreo, promovendo investimentos e ampliando o acesso da população.

O Ministério da Fazenda declarou que acompanha de perto a situação internacional e seus efeitos na economia brasileira, e que qualquer medida será feita com responsabilidade e respeitando as regras fiscais.

O Oriente Médio é uma região importante para as exportações brasileiras de carne de frango, ovos e outros produtos avícolas, áreas em que o Brasil é líder mundial.




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