A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Tatiana Prazeres, declarou durante reunião da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara que o governo está dialogando com empresários para aumentar a lista de exceções à tarifa de 40% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros exportados. Simultaneamente, o ministério trabalha para acelerar acordos comerciais com outros países.
Em julho, foi anunciada a tarifa de 40%, sucedendo um acréscimo de 10% estabelecido em abril. Entre as iniciativas, destaca-se a tentativa de liberar a entrada de máquinas que atualmente enfrentam restrições, sendo permitidas apenas ao setor aeronáutico.
Frente à incerteza causada por essas mudanças tarifárias, a secretária enfatizou a importância de fortalecer o comércio baseado em regras, mencionando acordos feitos pelo Mercosul com Singapura, União Europeia e a Associação Europeia de Livre Comércio. Além disso, parcerias sanitárias estão sendo estabelecidas para habilitar novas exportações para Vietnã e Turquia.
Tatiana Prazeres também revelou negociações avançadas com a União Europeia e o Reino Unido para reabrir o mercado de pescado nestes locais. No final do mês, o vice-presidente Geraldo Alckmin lidera uma delegação empresarial ao México, focada em buscar novos mercados para produtos afetados pelas barreiras comerciais americanas.
Segundo a secretária, há contradições nessas tarifas, especialmente porque muitas filiais de multinacionais americanas estão no Brasil, o que torna ilógica a dificuldade de exportação para os Estados Unidos. O Brasil apresenta déficit comercial com os EUA, estimado em US$ 28 bilhões para 2024, enquanto sua tarifa média sobre importações americanas é de apenas 2,73%.
Em 18 de agosto, o governo brasileiro enviará sua defesa na investigação 301 dos EUA sobre práticas comerciais brasileiras, com audiências previstas para setembro.
Gilson Daniel (Pode-ES) destacou a importância de produtos agrícolas como café, frutas, pimenta do reino, macadâmia e ovos.
Alexandre Guimarães (MDB-TO) frisou a necessidade de união para enfrentar as ameaças comerciais, defendendo a diversificação de mercados para garantir a soberania e economia brasileiras, ampliando as relações comerciais do país globalmente.
Vitor Lippi (PSDB-SP) alertou que em São Paulo cerca de 150 indústrias estão em risco de fechar, pois 40% a 70% do faturamento dependem das exportações para os Estados Unidos, impactando cerca de 120 mil empregos diretos e indiretos.