Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, afirmou nesta quarta-feira (18) que o Brasil não aceitará que os Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, classifiquem as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como grupos terroristas.
Ele explicou que o Congresso Nacional aprovou uma lei que não considera essas organizações como terroristas e ressaltou que o Brasil deve seguir suas próprias leis aprovadas pelos senadores.
Mauro Vieira também destacou que a tentativa dos EUA de fazer essa classificação é uma interferência em assuntos internos do Brasil, algo inaceitável. Além disso, mencionou preocupações econômicas, afirmando que sanções poderiam prejudicar empresas, bancos e outros setores.
O governo liderado por Lula acredita que classificar PCC e CV como terroristas poderia afetar empresas e o sistema financeiro, tornando-os vulneráveis a medidas tomadas unilateralmente pelos EUA.
Mauro Vieira reiterou que o Brasil segue a regra de que essa classificação deve ser aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e destacou que o foco principal do governo é combater o crime organizado que atua além das fronteiras do país.
Nesta mesma data, o chanceler participou de audiências nas comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado. Inicialmente, fora convidado para comentar a posição do Brasil sobre os conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Rodrigo Valadares, deputado federal por União Brasil de Sergipe, criticou o Itamaraty por não condenar claramente os ataques iranianos a países do Golfo, gerando dúvidas sobre a postura diplomática do Brasil e sua coerência com os princípios constitucionais.
Mauro Vieira respondeu que o Brasil condenou o ataque do Irã pois ele ocorreu durante negociações de paz mediadas por Omã para o programa nuclear iraniano, as quais estavam progredindo positivamente. Ele citou o ministro de Omã, Badr Al-Busaidi, que comentou que a diplomacia não teve tempo para agir.
O ministro também afirmou que o Brasil reprovou a retaliação iraniana contra países do Golfo que não estavam envolvidos no conflito, baseando-se na carta da ONU que proíbe responder ataques contra nações não participantes.
