André Borges
Brasília, DF (Folhapress) – O lançamento da plataforma oficial de hospedagem da COP30, a conferência climática da ONU (Organização das Nações Unidas), está atrasado. O governo havia prometido divulgar, até o final de junho, o site oficial para reservas, mas a pouco mais de quatro meses do evento em Belém, o serviço ainda não está disponível.
O país enfrenta críticas de governos estrangeiros e organizações não governamentais devido aos altos valores da hospedagem na capital paraense, transformando esse assunto no principal motivo de reclamações nacionais e internacionais.
O compromisso com a plataforma foi reafirmado durante as Reuniões Climáticas de Junho, realizadas em Bonn, Alemanha, uma espécie de prévia da COP.
Em maio, o governo anunciou a contratação da empresa Bnetwork para desenvolver a plataforma oficial. A proposta é centralizar online as reservas de hospedagem para facilitar o acesso dos participantes. Nesta primeira etapa, cerca de 6.000 leitos estarão disponíveis, com adições semanais subsequentes.
Ao todo, o país planeja oferecer mais de 29 mil quartos e 55 mil leitos, majoritariamente em locações temporárias. Também estavam previstas para o fim de junho duas embarcações de cruzeiro para reserva, totalizando 3.882 cabines e aproximadamente 6.000 leitos.
A Secretaria Extraordinária da COP30, quando questionada pela Folha de S.Paulo, afirmou que o trabalho está em progresso, sem revelar uma data oficial para o lançamento da página. “A plataforma oficial ainda não foi inaugurada. Estamos finalizando ajustes para assegurar a melhor experiência aos participantes”, declarou a Secretaria.
O governo brasileiro já recebeu notificações oficiais de países manifestando preocupação com os custos elevados de hospedagem e outras questões logísticas para a conferência.
O governo destaca que a plataforma reunirá opções de alojamento a preços mais acessíveis e trabalha para garantir que algumas acomodações tenham tarifas próximas a US$ 100 (cerca de R$ 550) por diária.
Segundo a Folha, a alta dos preços já impacta até os representantes da Secretaria Extraordinária da COP30, vinculada à Presidência da República, que ainda não tem garantida hospedagem. Com orçamentos chegando a R$ 25 mil por diária, cogita-se hospedar o grupo em uma base militar.
A 30ª conferência da ONU sobre mudanças climáticas acontecerá de 10 a 21 de novembro, com uma cúpula preparatória para chefes de Estado nos dias 6 e 7, também em Belém.
As polêmicas sobre preços abusivos das hospedagens em Belém resultaram numa troca de acusações entre o setor hoteleiro e o governo federal após a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, notificar os principais hotéis da cidade.
O Sindicato de Hotéis e Restaurantes de Belém e Ananindeua recusou fornecer as informações e acusou o governo federal de tentar impor preços e interferir em contratos legítimos.
Segundo a entidade, o governo tenta intervir indevidamente nas decisões comerciais do setor privado, por isso não atenderá à solicitação administrativa de informações.
Já a Senacon argumenta que aumentos desproporcionais sem justificativas e falhas na apresentação das condições de contratação configuram desequilíbrio na relação de consumo, indicando aumentos superiores a 1.000% em relação à média histórica.
No mês passado, o governo, corretoras e imobiliárias de Belém firmaram um acordo de boas práticas para os aluguéis durante a COP30, estabelecendo normas para garantir transparência e preços justos na locação.

