O governador de Roraima (RR), Antônio Denarium (PP), pediu ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que a fronteira com a Venezuela seja fechada após um ataque realizado pelos Estados Unidos contra o país latino-americano no sábado (3/1). Em entrevista ao Metrópoles, o governador expressou sua preocupação com um possível aumento no fluxo migratório, o que poderia sobrecarregar o sistema de proteção social da região.
Logo após o ataque, Denarium manteve contato com quatro ministros do governo federal: Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Mauro Vieira (Relações Exteriores), José Múcio Monteiro (Defesa) e Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), sugerindo que a fronteira permaneça fechada durante todo o período do conflito.
Atualmente, a passagem na cidade de Pacaraima permanece aberta, local que normalmente registra o maior fluxo migratório. Por outro lado, a Venezuela já adotou o fechamento parcial da fronteira, permitindo somente o retorno de cidadãos venezuelanos e brasileiros aos seus próprios países.
O governador alertou: “Sugeri que a fronteira permaneça fechada durante todo o conflito. Caso saibam que está aberta, muitos poderão tentar atravessar. Já existem cerca de 1,4 milhão de venezuelanos no Brasil. Se as famílias souberem disso, o número de imigrantes pode crescer, chegando a milhares de pessoas desamparadas, o que acarretaria uma sobrecarga nos serviços públicos, pois muitos não têm recursos próprios.”
Em dezembro, Denarium teve uma reunião com o presidente Lula em Brasília na qual pediu revisão da legislação de imigração para melhorar o controle da entrada de venezuelanos. “Mostrei ao presidente dados sobre venezuelanos registrados no CadÚnico e beneficiários de aposentadoria no Brasil. O país tem enfrentado custos elevados. Os venezuelanos entram como refugiados sem restrição, muitos alegam perda de documentos, e as informações fornecidas são autodeclaradas, sem verificação de antecedentes”, explicou o governador.
Mais de 150 aviões militares participaram da ofensiva contra a Venezuela, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro. Acusado de liderar o cartel Los Soles e de envolvimento com o tráfico internacional de drogas, Maduro foi transferido para os Estados Unidos a bordo do navio de guerra USS Iwo Jima.
O ex-presidente, sucessor político de Hugo Chávez, foi indiciado por uma corte de Nova York por crimes relacionados ao tráfico de entorpecentes. Embora as provas dessas acusações tenham sido mencionadas por autoridades norte-americanas recentemente, ainda não foram oficialmente divulgadas. Até o momento, não há informações sobre a data do início do julgamento nos Estados Unidos.
