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Brasil

Golpes digitais crescem e uso de IA preocupa usuários

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Cerca de 45 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais, o que representa 32% dos usuários de internet no país, sofreram tentativas de golpes digitais envolvendo o uso dos seus dados pessoais. Além disso, 20% relataram ter sido vítimas dessas fraudes, conforme indica a terceira edição da pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil, divulgada no 17º Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, realizado em São Paulo.

O estudo foi conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), que por sua vez está associado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A pesquisa, com abrangência nacional, entrevistou 2,5 mil pessoas por meio de questionários online em dezembro de 2025.

De acordo com os resultados, os golpes são principalmente aplicados por aplicativos de mensagens, mencionados em 84% dos casos. Em seguida, vêm ligações telefônicas (79%), sites ou apps falsos (71%), SMS (71%), emails (69%) e redes sociais (67%). A pesquisa revela que pessoas com menor nível de escolaridade relatam mais experiências com golpes, e essas situações têm impacto maior para esse grupo.

Winston Oyadomari, um dos coordenadores da pesquisa, destacou que as tentativas de golpes causam estresse e mal-estar, podendo resultar não apenas em perdas financeiras, mas também em perda de acesso a contas e serviços públicos. Ele ressaltou que o controle de emails utilizados em serviços do governo, como o Gov.br, é fundamental para garantir acesso a políticas públicas e serviços essenciais.

O estudo também analisou o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa, mostrando que o uso profissional ou acadêmico é o mais frequente, mas há casos de uso para aconselhamento, suporte emocional e companhia. Entre as finalidades citadas estão trabalho ou estudo (73%), preferências pessoais (58%), sentimentos e emoções (54%), dados de saúde (52%), fotos pessoais (50%), finanças (41%) e dados pessoais como nome, endereço, data de nascimento ou CPF (37%).

Entre os usuários de IA generativa, 66% demonstraram preocupação com o uso de seus dados pessoais pelas empresas responsáveis pelas ferramentas, percentual que sobe para 72% entre pessoas com maior escolaridade. A preocupação também é grande em relação ao compartilhamento de dados de saúde, tema que ganhou relevância com as novas funcionalidades dessas tecnologias.

Nas empresas, 69% afirmaram armazenar dados pessoais de clientes ou usuários, sendo a biometria o tipo de dado mais guardado (31%), seguido por dados de saúde (26%). Destas organizações, 9% declararam manter informações pessoais de menores de 18 anos.

Quanto à governança dos dados e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), 40% das empresas realizam reuniões específicas sobre o assunto, 32% contrataram consultorias especializadas, 20% possuem áreas ou funcionários dedicados à proteção de dados e 16% nomearam formalmente um encarregado de proteção de dados (DPO).

No setor público, houve avanço na criação de áreas dedicadas à privacidade, sobretudo em municípios com até 10 mil habitantes, aumentando de 36% em 2023 para 42% em 2025. A presença dessas estruturas é mais forte no Ministério Público (100%), Judiciário (94%) e Legislativo (83%) do que no Executivo (74%).

A pesquisa revelou também crescimento nas políticas de segurança da informação em unidades públicas de saúde, chegando a 28% em 2025, com destaque para hospitais públicos com mais de 50 leitos, que alcançam 54%. A oferta de treinamentos em segurança dobrou, de 16% para 32%, para as equipes dessas instituições no mesmo período.

Nas escolas públicas, a proporção de instituições com documentos que regulamentam a proteção de dados e segurança da informação subiu de 37% em 2020 para 54% em 2025. Entre gestores que não usam sistemas digitais na gestão escolar, 39% apontaram a preocupação com privacidade como um dos principais motivos, e 25% mencionaram a segurança dos dados como razão para não adotar esses recursos, citando riscos de vazamento e falta de clareza nos termos de uso.

Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, frisou que a proteção dos dados não deve ficar somente a cargo dos usuários. Em comunicado, destacou que empresas e órgãos públicos precisam implementar práticas de governança, transparência e segurança para garantir o uso responsável das informações.

Informações obtidas da Agência Brasil.

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