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domingo, 31/08/2025

Gisèle Pelicot é homenageada com a maior condecoração da França

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Gisèle Pelicot, reconhecida mundialmente como um símbolo do feminismo após o julgamento de seu marido, que a dopava e gravava encontros sexuais não consensuais entre ela e estranhos, recebeu neste domingo (13/7) a Legião de Honra, a principal condecoração da França. Vítima de abusos sexuais coletivos por anos, Gisèle enfrentou seus agressores na Justiça em um processo acompanhado globalmente. Além dela, outras personalidades também foram agraciadas com esta ordem de mérito criada por Napoleão Bonaparte, que já homenageou individualidades brasileiras.

Aos 72 anos, Pelicot foi ovacionada no ano passado pela bravura de seu testemunho durante o julgamento do ex-marido, que por uma década a dopava para facilitar estupros cometidos por muitos homens. Desde então, ela tem sido destacada em listas internacionais de pessoas influentes, e seu caso contribuiu para mudanças nas leis francesas referentes a estupro.

A Legião de Honra é uma distinção que reconhece serviços excepcionais prestados à França, tanto por civis quanto por militares, franceses ou estrangeiros. Fundada em 1802 por Napoleão Bonaparte como forma de premiar mérito e coragem após a Revolução Francesa abolir títulos nobiliárquicos, é considerada a mais alta honraria do país, valorizando ações concretas em benefício da nação.

A condecoração possui cinco níveis, do grau de cavaleiro ao de Grã-Cruz, e os agraciados do ano são divulgados pelo Diário Oficial antes da comemoração do 14 de julho, data da Festa Nacional francesa.

Entre os homenageados mais renomados estão a cientista Marie Curie, o escritor Victor Hugo e o filósofo Jean-Paul Sartre, que recusou a honraria. Atualmente, 589 pessoas foram condecoradas, incluindo a sobrevivente do campo de extermínio de Auschwitz, Yvette Levy, os ex-ministros Stéphane Le Foll, Olivier Véran e Bruno Le Maire. Destacam-se ainda o cantor e produtor musical Pharrell Williams, que também dirige coleções masculinas na Louis Vuitton, a cantora franco-búlgara Sylvie Vartan e o escritor Marc Levy.

Historicamente, diversos brasileiros receberam a Legião de Honra, como o imperador Dom Pedro II, agraciado com a Grã-Cruz pelo seu interesse nas ciências e artes. Mais recentemente, costumes e direitos humanos foram reconhecidos por meio desta condecoração a figuras como o arquiteto Oscar Niemeyer, os músicos Gilberto Gil e Tom Jobim, a atriz Fernanda Montenegro, o fotógrafo Sebastião Salgado, o jogador Pelé, além de ativistas ambientais e políticos como a ministra Marina Silva, o senador Randolfe Rodrigues e o líder indígena Cacique Raoni.

A Legião de Honra pode ser revogada caso o governo francês decida que seu detentor não merece mais a condecoração. Em 2024, o ex-presidente Nicolas Sarkozy foi obrigado a renunciar à honraria após uma condenação definitiva por corrupção, situação semelhante à do ex-líder sírio Bashar Al-Assad em 2001. O ator Gérard Depardieu está sob investigação para eventual retirada da honraria por acusações de agressão sexual, caso o Conselho de Ordem assim delibere.

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