Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do caso que investiga suspeitas de desvios de dinheiro de emendas parlamentares destinadas ao Ceará, solicitou que a Polícia Federal apure as menções feitas aos deputados José Guimarães (PT), líder do governo na Câmara, Eunício Oliveira (MDB) e Yury do Paredão (MDB).
Os três deputados negam qualquer envolvimento em irregularidades relacionadas às emendas.
A decisão do ministro foi tomada dentro da Operação Underhand, iniciada recentemente. O foco inicial da investigação é o deputado Júnior Mano (PSB-CE), que supostamente teria se aliado ao político Carlos Alberto Queiroz Pereira, conhecido como Bebeto do Choró (PSB), para controlar a distribuição de recursos de emendas e influenciar as eleições de 2024, buscando assumir a liderança política de cerca de 50 municípios cearenses.
Mensagens
Os deputados mencionados foram citados em mensagens trocadas por Bebeto do Choró, interceptadas pela Polícia Federal. Bebeto, apontado como líder do esquema, foi eleito prefeito de Choró, mas teve sua posse negada pela Justiça Eleitoral e encontra-se foragido, com um mandado de prisão em aberto.
Os diálogos indicam que Eunício teria confirmado que Guimarães destinou R$ 2 milhões ao município, e que ele mesmo indicou uma emenda de R$ 1 milhão. Outra conversa faz referência a Yury do Paredão. Essas menções, contudo, não constituem provas de corrupção. Gilmar Mendes considerou que, devido às menções, é necessária uma investigação para apurar se houve participação dos deputados na execução das emendas.
A origem da Operação Underhand está nas denúncias da ex-prefeita de Canindé, Rozário Ximenes (Republicanos). Em depoimento ao Ministério Público e entrevista, ela relatou que o grupo político de Júnior Mano usava empresas ligadas a Bebeto do Choró para vencer licitações e lavar dinheiro das emendas, que eram usadas como caixa dois para candidatos aliados, influenciando votos.
Defesas
Guimarães declarou que não é alvo da operação e que não destinou emendas a Canindé nos últimos anos. Ele afirmou que seu nome foi mencionado por pessoas investigadas, mas que não está sob inquérito por uso irregular de emendas.
Eunício Oliveira disse que destina emendas a vários municípios do Ceará de forma transparente e legal. Yury do Paredão declarou que trabalha com responsabilidade e transparência, estando disponível para qualquer esclarecimento.
Rozário Ximenes negou que Eunício tenha recebido propina, afirmando que ele cancelou emendas ao saber do esquema. Recentemente, o deputado solicitou a suspensão de emendas para os municípios de Várzea Alegre e Brejo Santo.
Estadão Conteúdo