Por muitos anos, os aproximadamente 100 mil moradores de Vicente Pires, no Distrito Federal, enfrentaram problemas sérios com enchentes, buracos no chão e danos causados pelas chuvas. Conhecida como ‘Vicente Pires Buraco’, a região sofria com fortes enxurradas que destruíam muros, invadiam residências e até causavam tragédias, como a morte de um bebê em um desses episódios.
Essa realidade mudou completamente com as obras iniciadas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) em 2019. Com um investimento total de R$ 420 milhões, foram construídos mais de 213 quilômetros de galerias para escoamento das águas, pavimentadas mais de um milhão de metros quadrados de ruas e criadas 12 lagoas de contenção. Essas ações foram realizadas pela Secretaria de Obras e Infraestrutura (SODF), focando na drenagem profunda, redes de água, contenções e recuperação das vias.
Atualmente, as últimas etapas estão sendo finalizadas em áreas específicas, como as avenidas Misericórdia e Flor da Índia, na Colônia Agrícola Samambaia. Uma lagoa de contenção próxima à Rua da Misericórdia já está pronta para diminuir o impacto das águas no Córrego Samambaia. O sistema conta com bocas de lobo, tubulações, poços de visita para inspeção e dissipadores que controlam o fluxo da água, garantindo eficiência mesmo em chuvas intensas.
Valter Casimiro, secretário de Obras e Infraestrutura, destaca que o novo sistema de drenagem é resistente e definitivo contra os transtornos causados pelas chuvas, alinhado ao compromisso do GDF de modernizar a infraestrutura do Distrito Federal. Erinaldo Sales, secretário-executivo, ressalta que a cidade agora está preparada para receber grandes volumes de chuva, com o sistema já em funcionamento.
Os moradores comemoram as mudanças. Admilson Teixeira, 58 anos, que vive na região há 26 anos, lembra dos tempos de lama e poeira que estragavam veículos, incluindo seus três carros. Hoje, as ruas são seguras e acessíveis, com mercados, farmácias, bancos e uma UPA funcionando sem interrupções.
Gilberto Camargos, 62 anos, aposentado e residente há mais de 30 anos, compara o passado marcado por enchentes intensas, parecido com o desastre de Mariana, ao presente de ruas pavimentadas e livres de grandes alagamentos. ‘Estamos no céu’, diz ele, destacando o fim dos prejuízos com perdas de veículos e danos às propriedades.
