O preço da gasolina cobrado pela Petrobras para as distribuidoras caiu R$ 0,14 desde a última terça-feira. No entanto, os motoristas do Distrito Federal ainda esperam para ver essa redução refletida nos preços dos postos de combustível da capital e de outras cidades da região. Segundo o presidente do Sindicato dos Postos de Combustível do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF), Paulo Tavares, a queda que deve chegar ao consumidor é cerca de R$ 0,10. No primeiro dia após a notícia, verificamos alguns postos nas regiões do Plano Piloto, Guará e Taguatinga para conferir se houve diminuição nos valores para os motoristas.
Apesar do anúncio da redução, o efeito nas bombas do DF pode demorar a ser percebido. De acordo com o último levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina em Brasília ainda estava em R$ 6,51. Visitando os postos na capital, observamos que alguns estabelecimentos no Plano Piloto cobravam entre R$ 6,35 e R$ 6,65, valores acima da média. O desconto anunciado pela Petrobras não havia chegado a esses postos, embora alguns oferecessem descontos locais para pagamentos por aplicativo, voucher ou débito.
O administrador Gefferson Lima, 29 anos, contou que estava abastecendo seu carro em um posto no Setor Hoteleiro Sul e desconhecia a redução anunciada pela Petrobras. Ele acredita que o consumidor final é o mais afetado em momentos de alteração no preço dos combustíveis, especialmente quem depende do carro para trabalhar. Para ele, o custo de abastecer pesa bastante no orçamento, pois o transporte é fundamental no dia a dia.
Gefferson ressaltou que há sempre um atraso para que a diminuição do preço da gasolina chegue aos postos, mas que o aumento costuma ser rápido. “Os postos dizem que precisam esgotar seus estoques antes de repassar qualquer redução”, explicou.
Em regiões como o Guará, observamos que alguns preços estavam abaixo da média, mesmo sem incluir a recente redução da Petrobras, ficando em torno de R$ 6,07 a R$ 6,08. O professor de educação física Renato Nelson, 37 anos, comentou que abastece na área por encontrar melhores preços. Ele não tinha conhecimento da redução, mas acha o preço dos combustíveis em Brasília geralmente elevado e acredita que os valores são manipulados no mercado local.
Renato apontou que a concorrência entre postos parece pouca, o que mantém os preços altos. Ele costuma abastecer em alguns poucos postos que oferecem preços ligeiramente mais baixos, o que faz pequena diferença no custo final.
O motorista de aplicativo Prado Neto, 66 anos, estava ciente da redução e viu essa notícia como positiva para a categoria. Rodando por várias regiões do DF, ele já viu preços razoáveis em alguns postos e destacou que o preço do etanol também caiu. Ele prefere abastecer em locais de confiança para garantir a qualidade da gasolina.
Em Taguatinga, mesmo sem o impacto oficial da redução, encontramos preços menores, com valores próximos a R$ 5,99 no débito e uma média de R$ 6,09 a R$ 6,14 em diversos postos. O motorista Aloísio Valério, que abastecia seu carro na região, sabia da notícia, mas não percebeu queda imediata nos preços.
Aloísio ressaltou a importância dessas variações para quem trabalha com transporte e afirmou que ainda está observando para confirmar se a redução será repassada pelos postos. Ele afirmou que os postos de Taguatinga e Guará costumam ter valores mais acessíveis para ele.
Outras regiões do DF, como o Riacho Fundo I e o Setor de Indústrias Gráficas (SIG), mostraram preços de R$ 6,39 e R$ 6,53, respectivamente.
A redução anunciada
De acordo com Paulo Tavares, esta foi a primeira redução de preço da gasolina anunciada pela Petrobras em 2026, sendo a anterior em outubro do ano passado, quando houve uma queda de R$ 0,17 no preço, que não chegou a refletir totalmente nos postos. Nesta ocasião, a redução de R$ 0,14 no valor da gasolina tipo A, componente da gasolina comercializada nos postos, deve ser repassada em cerca de 70% ao consumidor, o que resultaria em uma redução de R$ 0,10, compensando parte do aumento do ICMS.
Paulo Tavares pediu paciência para que nos próximos dias se possa avaliar se as distribuidoras vão repassar essa redução para os postos. Ele lembrou que os estabelecimentos não compram diretamente da Petrobras, mas das distribuidoras, que ainda têm um estoque elevado. A expectativa é que, desta vez, a diminuição de preço chegue ao consumidor final.
