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sexta-feira, 09/01/2026

Garimpo ilegal com grupo criminoso cerca indígenas; Justiça exige expulsão imediata

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Vinicius Sassine
Blém, PA (Folhapress)

No Mato Grosso, indígenas da Terra Indígena Sararé estão sendo cercados por atividades ilegais de garimpo de ouro, controladas pelo grupo criminoso Comando Vermelho. A falta de um plano claro do governo Lula para expulsar esses invasores aumenta o risco para os indígenas e para os servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Estradas usadas por garimpeiros entram nas aldeias dos nambikwaras, com ameaças às lideranças locais e tentativas de esconder equipamentos durante as fiscalizações, segundo documentos enviados à Casa Civil da Presidência da República.

A região, próxima a Pontes e Lacerda, enfrenta violência crescente, com confrontos armados entre o grupo criminoso e guardas privados contratados pelos garimpeiros. Dados da Agência Brasileira de Inteligência indicam 46 assassinatos de 2022 a 2024 na área.

Relatórios da Funai, assinados pela presidente Joenia Wapichana, apontam o uso de armamentos pesados, como fuzis, por esses grupos. O ambiente tornou-se semelhante a um território controlado por milícias.

Apesar de decisões judiciais cobrando ações, o governo federal ainda não apresentou um plano definitivo para remover os invasores, mantendo a situação crítica no local.

Em nota, a Casa Civil e o Ministério dos Povos Indígenas afirmaram que há proteção contínua do território, destacando uma operação recente liderada pelo Ibama que destruiu milhares de equipamentos ilegais, causando perdas consideráveis ao crime.

A rota de acesso ao território é fácil, a partir de Pontes e Lacerda, localizando-se à apenas 50 km dali.

A Justiça determinou que o governo apresente um plano detalhado para a retirada dos invasores em até 45 dias, sob coordenação do Ministério dos Povos Indígenas.

Na avaliação da Funai, ações isoladas têm sido insuficientes para proteger indígenas e servidores, sendo necessário um planejamento contínuo e presença constante de segurança pública.

Na visita da Folha em 2023, a presença do Comando Vermelho já era evidente, com espaços controlados por grupos responsáveis pela logística do ouro.

O ofício da presidente da Funai detalha a violência crescente e seu impacto sobre a população e servidores, ressaltando a urgente necessidade de um esforço conjunto entre diferentes órgãos para combater o problema.

Joenia Wapichana destaca que o retorno gradual dos garimpeiros intensifica os conflitos, tornando a situação cada vez mais perigosa para todos os envolvidos.

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