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Economia

Galípolo não revela valor roubado em ataque hacker e garante que Pix está seguro

Foto: Agência Brasil

NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, preferiu não divulgar a quantia roubada na invasão da empresa C&M Software, mas garantiu que o sistema Pix continua funcionando normalmente.

“Deixamos que a polícia informe o valor, se achar necessário”, afirmou Galípolo durante audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.

Ele destacou que o ataque não comprometeu a estrutura criada pelo Banco Central. Se isso tivesse acontecido, o problema seria muito maior.

“O Banco Central movimenta cerca de R$ 8 trilhões todos os dias. Se tivessem invadido o sistema do BC, seria um problema muito grave. O invasor acessou apenas a conta da empresa afetada. Os sistemas continuam seguros dentro do Banco Central”, explicou.

Na semana passada, um ataque cibernético desviou aproximadamente R$ 1 bilhão em recursos ligados ao BC, o maior caso desse tipo já registrado no Brasil, mas o valor exato do roubo ainda não foi confirmado oficialmente. Os fundos estavam em contas de clientes da empresa C&M Software, que fornece tecnologia para instituições financeiras.

Uma fonte anônima disse à Folha de S.Paulo que as contas PI (pagamentos instantâneos), mantidas no BC para facilitar transações via Pix, foram as que sofreram acesso.

Galípolo disse que não foi um ataque cibernético convencional. “Não houve várias tentativas para quebrar senhas, mas sim um caso de engenharia social, quando alguém fornece credenciais legítimas por engano ou pressão”, declarou.

Na última segunda-feira (7), a Justiça de São Paulo prorrogou a prisão temporária do técnico de TI João Nazareno Roque, de 48 anos, investigado pelo ataque. A Polícia Civil afirmou que Roque recebeu R$ 15 mil para ceder suas credenciais e para executar códigos enviados pelo grupo criminoso responsável.

Na quinta-feira (3), o Banco Central permitiu que a empresa C&M Software retomasse parcialmente suas operações em dias úteis, das 6h30 às 18h30. Outras seis instituições financeiras – Voluti Gestão Financeira, Brasil Cash, S3 Bank, Transfeera, Nuoro Pay e Soffy – continuam temporariamente impedidas de acessar o sistema Pix.

A autoridade monetária tem poder para suspender participantes que possam colocar em risco o funcionamento seguro do sistema de pagamentos.

Em um encontro com a Frente Parlamentar do Empreendedorismo na terça-feira (8), Galípolo usou esse ataque para defender a proposta de emenda constitucional (PEC) que concede autonomia financeira ao Banco Central.

“Do lado do Banco Central, tudo funcionou, porque o invasor acessou somente a conta da empresa afetada. É necessário investir mais em segurança, por isso retorno ao tema da PEC. O BC precisa ter recursos para supervisionar tudo de forma transparente”, concluiu.

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