Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, afirmou que o efeito do aumento do preço do petróleo no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve ser analisado com atenção, pois não está relacionado ao aumento da demanda. Ele explicou que, historicamente, quando o preço do petróleo sobe, isso ocorre devido a um crescimento global da demanda, o que impulsiona a economia brasileira. Porém, atualmente, o cenário é diferente e o aumento do petróleo tem outras causas.
Essa declaração foi dada durante uma coletiva sobre o Relatório de Política Monetária referente ao primeiro trimestre de 2026.
Galípolo destacou que, em choques de oferta como este, normalmente há um aumento da inflação e uma diminuição no crescimento econômico. Ele ressaltou a importância de entender os desdobramentos dessa situação, especialmente porque o Brasil ainda mantém uma taxa de juros alta.
Principal desafio no Oriente Médio
O presidente do Banco Central mencionou que o maior desafio em relação ao conflito no Oriente Médio é o tempo necessário para compreendê-lo completamente, que varia para cada agente envolvido.
Ele também observou que vários governos ao redor do mundo reagiram rapidamente a esse choque no petróleo, usando medidas como redução de impostos e reservas emergenciais para minimizar os impactos nos preços.
Além disso, Galípolo apontou que o atual choque de oferta não afeta apenas a logística, como o fechamento do estreito de Ormuz, mas também a capacidade produtiva, a qual pode levar mais tempo para ser recuperada. Esse impacto não se restringe ao petróleo, podendo influenciar outros mercados e produtos.
O presidente do Banco Central lembrou que o mundo enfrenta o quarto grande choque de oferta nos últimos dez anos, o que aumentou a percepção dos riscos de consequências prolongadas e mais complexas.
Ele detalhou que os choques anteriores foram causados pela covid-19, invasão da Ucrânia e guerras tarifárias.
Reportagem do Estadão Conteúdo.

