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sexta-feira, 02/01/2026

Galípolo ganha apoio da Faria Lima e enfrenta crises no BC no primeiro ano

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NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, revelou pela primeira vez um desentendimento público com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao expressar resistência à mudança no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) logo após o anúncio da medida pelo ministro, que depois recuou parcialmente.

O aumento do IOF causou preocupação entre os investidores, que temiam a saída rápida de capital do país e viram a medida como uma tentativa de controle de capitais pelo governo. A reação negativa afetou diretamente Galípolo, que passou a ser cobrado nos bastidores de ambos os lados para conter os efeitos da medida.

Três economistas, que preferiram não se identificar, destacaram esse episódio como um ponto decisivo na busca do presidente do BC por conquistar a confiança do mercado e construir credibilidade em seu primeiro ano no cargo.

Segundo um deles, Galípolo é hoje mais aceito na Faria Lima do que Haddad, pois enquanto o ministro da Fazenda tem seu capital político diminuído, o presidente do BC demonstra disposição para tomar decisões que contrariem até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou membros do governo.

BANCO MASTER

Galípolo conta com o apoio da Faria Lima em meio à maior crise enfrentada desde que assumiu: a situação do banco Master. Associações do setor bancário e de fintechs uniram-se em defesa da autoridade monetária, ressaltando a importância da presença de um regulador técnico e independente para manter o sistema financeiro sólido e confiável.

A nota conjunta foi assinada por entidades como ABBC, Acrefi, Febraban e Zetta, representando diversos segmentos do mercado financeiro, um raro posicionamento unificado em defesa do BC.

Esse apoio surgiu num momento em que Galípolo enfrentava resistência do STF. A liquidação do Master provocou ações judiciais envolvendo interrogatórios de figuras chave e levantou dúvidas sobre a atuação do BC, que alguns acreditam ter sido lenta para agir contra o dono do Master, Daniel Vorcaro.

Galípolo também teve reuniões com o ministro do STF, Alexandre de Moraes, cujo escritório tem relacionamento contratual com o banco Master; encontros esses não incluídos na agenda oficial do presidente do BC e cuja nota oficial mencionou apenas temas não ligados diretamente ao caso Master.

No âmbito político, o caso Master colocou o presidente do BC na mira do Congresso, especialmente do centrão, que tentou estabelecer um projeto para permitir que parlamentares pudessem remover membros da cúpula do BC, projeto este que perdeu força conforme as investigações avançaram.

Em novembro, após a liquidação do banco e prisão de Vorcaro, a Polícia Federal revelou que o Master teria transferido ao BRB R$ 12 bilhões em uma carteira de crédito fictícia.

ATAQUES CIBERNÉTICOS

Simultaneamente, o sistema financeiro enfrentou o maior ataque cibernético da história do país, com um prejuízo superior a R$ 800 milhões. Esse evento motivou Galípolo a implementar medidas emergenciais durante o segundo semestre visando fortalecer a segurança do sistema financeiro.

O Banco Central precisou tomar decisões rápidas que provocaram debates internos sobre o ritmo das reformas. Entre essas medidas, o aumento do capital mínimo das instituições financeiras preocupou bancos menores, que temem perder competitividade. Sob a gestão de Galípolo, a prioridade dada à inovação foi reduzida em comparação com o governo anterior.

POLÍTICA MONETÁRIA

Quanto à política de juros, Galípolo manteve a continuidade na condução, mesmo vindo a um cargo cercado de desconfiança devido à sua proximidade com o presidente Lula. Entretanto, o mercado elogia sua independência frente a pressões políticas.

Rodrigo Maia, diretor do BTG Pactual e ex-presidente da Câmara, considerou a gestão de Galípolo espetacular e acima das expectativas, destacando sua habilidade em resistir à pressão do presidente da República para garantir a autonomia do BC.

Sergio Werlang, ex-diretor do BC e professor da FGV EPGE, avaliou positivamente a gestão, embora tenha criticado a alta taxa de juros, fixada em 15% ao ano, a maior em quase 20 anos, por ser mais conservadora que o ideal.

Apesar das críticas feitas por membros do governo, como Haddad e a ministra Gleisi Hoffmann, Galípolo tem sido poupado de ataques pessoais, mantendo sua reputação e o respeito no setor financeiro.

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