ADRIANA FERNANDES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, encontrou-se neste sábado (19) com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master. O encontro faz parte das negociações finais para a aprovação pelo Banco Central da compra do banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Segundo fontes próximas à reunião, Vorcaro e o CEO do Master, Augusto Ferreira Lima, estão esclarecendo dúvidas sobre os documentos recentes enviados ao Banco Central.
Novos encontros estão programados para segunda e terça-feira, com o objetivo de acelerar a análise dos documentos, processo que deve durar aproximadamente mais uma semana. Participou também da reunião o diretor de Fiscalização do BC, Ailton De Aquino Santos, que ocorreu na sede do Banco Central.
A expectativa do Master é que a definição do chamado perímetro — ou seja, os ativos que farão parte do negócio com o BRB — só será finalizada após o aval do Banco Central, baseando-se no último balanço do banco.
Como já mencionado anteriormente, a participação adquirida pelo BRB no Master poderá ser reduzida.
Fontes próximas das negociações revelam que o perímetro da aquisição será menor que o informado inicialmente, especialmente devido a problemas documentais encontrados em alguns ativos e passivos do banco privado.
Ativos com documentação insatisfatória poderão ser excluídos do perímetro da aquisição.
Em maio, quando o BRB submeteu uma nova proposta ao Banco Central, já havia ocorrido uma primeira redução do perímetro. Os ativos excluídos ficaram conhecidos como “bad bank” (banco ruim) e os mantidos como “good bank” (banco bom).
Na ocasião, o valor dos ativos excluídos do perímetro foi recalculado, aumentando de R$ 23 bilhões para R$ 33 bilhões, excluindo ativos de maior risco e menor liquidez, incluindo precatórios e algumas operações de crédito do Master.
No dia 14, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) iniciou um processo administrativo para investigar a diretoria do banco, focando na elaboração das demonstrações financeiras de 2024 e na convocação fora do prazo das assembleias gerais ordinárias.
A CVM não detalha o processo, que é sancionador, indicando que já há acusações contra diretores e membros do conselho administrativo do banco.
O BRB comunicou ao mercado que recebeu notificação da CVM sobre o processo relacionado ao atraso de sete dias úteis na divulgação das demonstrações financeiras de 2024 e da convocação das assembleias gerais. Todos os documentos do processo estão disponíveis no site da CVM.
Este processo da CVM foi recebido com surpresa pelo BRB e pelo Master, justamente nesta etapa final da análise da operação pelo Banco Central.