Os fundos de investimento voltados para a sustentabilidade atingiram um valor total de R$ 36,8 bilhões em julho de 2025, um aumento de 48,4% em relação a dezembro de 2024 e quase o dobro em comparação ao ano anterior, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). A captação líquida neste ano já passou de R$ 8 bilhões, superando os R$ 9,4 bilhões de 2024, e o número de investidores cresceu de 80,4 mil para 149,8 mil no mesmo período. Apesar do crescimento significativo, esses fundos ainda representam apenas 0,37% do total do mercado.
Carlos Takahashi, diretor da Anbima e coordenador da Rede Anbima de Sustentabilidade, ressaltou em entrevista ao Broadcast que, embora o número de fundos, investidores e patrimônio esteja aumentando, o mercado ainda é considerado pequeno e exige que investidores e profissionais aprendam mais sobre o tema.
Importância do aspecto ambiental
Takahashi destacou que os investidores que aplicam em fundos sustentáveis entendem onde estão investindo e buscam resultados de longo prazo. Ele ressaltou que a identificação clara dos fundos de investimento sustentável (IS) é importante, diferente dos fundos ESG que podem incluir critérios sustentáveis sem ter essa designação no nome. Os fundos com foco em ESG possuem patrimônio três vezes menor que os fundos IS.
A maior parte dos fundos IS, cerca de 72%, têm como objetivo principal a questão ambiental, como mudanças climáticas e transição energética. O executivo também afirmou que é essencial que a indústria amplie seu foco para questões sociais, buscando uma transição econômica limpa que não deixe ninguém para trás.
Renda fixa impulsiona crescimento dos fundos IS
A maior parte do patrimônio desses fundos está em renda fixa, que cresceu 170,7% em relação a julho de 2024, totalizando R$ 23,8 bilhões. Esse avanço é impulsionado por uma maior emissão de títulos verdes, como debêntures, bonds e certificados ligados ao setor imobiliário e do agronegócio.
Takahashi explicou que essa combinação de retorno atraente e foco em ESG tem atraído mais investidores, e o mercado sustentável, criado em 2022, está próximo de apresentar dados consistentes para comparação de riscos e retornos.
Por outro lado, fundos IS multimercado diminuíram de R$ 3,6 bilhões para R$ 1,5 bilhão, e os fundos de ações reduziram pouco seu patrimônio. Fundos de direitos creditórios (FIDC) e fundos de investimento em participações (FIPs) cresceram significativamente, mostrando diversificação dentro dos investimentos sustentáveis.
No segmento ESG, os FIPs foram os que tiveram maior crescimento percentual, passando de R$ 666,5 milhões para R$ 2,3 bilhões em um ano, um aumento de 246%. Segundo Takahashi, o crescimento desses fundos, que são focados em projetos de longo prazo como private equity e infraestrutura, é um sinal positivo para o setor.
Estadão Conteúdo