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sexta-feira, 09/01/2026

Fundação do Câncer atualiza guia para prevenir câncer do colo do útero

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A Fundação do Câncer lançou uma nova versão do Guia Prático para prevenir o câncer do colo do útero, como parte das ações do Janeiro Verde, mês dedicado à conscientização sobre essa doença. A atualização do guia, divulgada dois anos após a primeira edição de 2022, traz informações sobre as mudanças recentes na vacinação contra o HPV e no exame de rastreamento, com uma transição gradual do exame Papanicolau para o teste molecular de DNA-HPV no Sistema Único de Saúde (SUS).

Flávia Miranda Corrêa, consultora médica da Fundação do Câncer e doutora em Saúde Coletiva da Criança e da Mulher pela Fiocruz, explica que as novidades incluem ampliar o público que pode ser vacinado contra o HPV e introduzir os testes moleculares no SUS a partir de setembro de 2023. A implantação desses testes começa em municípios de 12 estados e vai se expandir com o apoio do Ministério da Saúde. Enquanto essa mudança não for completa, o exame Papanicolau continuará sendo usado nas regiões não atendidas pelo novo teste.

O guia segue as novas regras brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero aprovadas pela Conitec, que indicam a substituição do Papanicolau pelo teste de DNA-HPV. Luiz Augusto Maltoni, cirurgião oncológico e diretor executivo da Fundação, destaca que o novo exame detecta a infecção pelo HPV antes mesmo das alterações nas células, permitindo uma prevenção mais eficiente.

O público que deve fazer o rastreamento continua sendo mulheres entre 25 e 64 anos. Com o teste molecular, que é mais sensível, o intervalo entre exames negativos pode ser de cinco anos, diferente dos três anos do Papanicolau. Se o teste detectar tipos HPV 16 e 18, que causam 70% dos casos de câncer cervical, a mulher é encaminhada para uma colposcopia imediatamente. Para outros tipos de HPV, se o exame de células for normal, o teste é repetido em um ano.

O Brasil acompanha a meta global da OMS para eliminar o câncer do colo do útero até 2030, que inclui vacinar 90% das meninas até os 15 anos, rastrear 70% das mulheres com teste molecular e tratar 90% dos casos diagnosticados. A vacina está disponível no SUS desde 2014 para meninas e meninos de 9 a 14 anos, e uma campanha está em andamento para recuperar a vacinação de adolescentes entre 15 e 19 anos, afetada pela pandemia e pelo movimento antivacina.

Flávia Corrêa ressalta os três pontos principais da estratégia: a prevenção com a vacina, que impede a infecção pelo HPV; o rastreamento com o teste de DNA-HPV, mais preciso que o Papanicolau; e o tratamento rápido das lesões que podem virar câncer. A vacina quadrivalente protege contra os tipos de HPV mais ligados ao câncer e é oferecida gratuitamente para grupos prioritários, como pessoas com HIV, transplantados e vítimas de abuso sexual.

Para mulheres entre 20 e 45 anos, a vacinação não está disponível no SUS e deve ser avaliada no setor privado. Profissionais do sexo, que têm maior risco, ainda não são incluídos na vacinação pública, mas há discussões para ampliar essa oferta. O guia atualizado está disponível para consulta e download no site da Fundação do Câncer.

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