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quarta-feira, 28/01/2026

Funcionários do Will Bank enfrentam dúvida sobre pagamento após fechamento

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MATHEUS DOS SANTOS E JÚLIA GALVÃO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Após o encerramento das atividades do Will Bank há uma semana, mais de mil trabalhadores estão vivendo um momento de incerteza quanto ao pagamento de seus salários, benefícios e indenizações. Muitos ex-colaboradores relataram que, sem um calendário oficial, ainda não sabem se vão receber o vale-refeição, vale-alimentação, previstos para esta semana, nem o salário referente ao mês de fevereiro.

Alguns já iniciaram processos seletivos para novos empregos ou já foram aprovados em outras vagas, mas não conseguem definir quando poderão começar pois não sabem quando seus contratos atuais serão oficialmente finalizados. O banco não respondeu às tentativas de contato sobre o assunto.

Um gerente relatou que, durante esta semana, chegou a emprestar dinheiro para membros de sua equipe que tinham valores depositados no próprio Will Bank e perderam acesso após a liquidação. Há também casos de funcionários em licença-maternidade que não sabem se poderão manter o plano de saúde ou como ficarão com seus pagamentos.

Desde o anúncio da liquidação, além das preocupações financeiras imediatas, os empregados utilizam redes sociais e grupos internos para expressar tristeza pelo fim da empresa, considerada por muitos como um local de aprendizado e ambiente com boas relações entre colegas. Em mensagens públicas, destacam a cultura forte e o engajamento das equipes, o que causou ainda mais impacto com o encerramento.

Segundo relatos, mesmo com a liquidação do Banco Master, controlador do Will, o clima interno mantinha certo otimismo quanto a uma possível venda da operação financeira. Muitos esperavam a continuidade dos empregos ou uma transição mais organizada. A decisão do Banco Central, porém, pegou a maioria de surpresa.

Leonardo Santos, ex-analista de marketing do banco, demitido no dia 9 de janeiro, antes da liquidação, contou que a equipe trabalhava em planos de recuperação, mas era um cenário confuso, marcado por ações emergenciais surpreendentes para captar recursos.

Uma lista pública criada na quarta-feira reúne mais de 900 nomes de profissionais afetados pela liquidação, incluindo funcionários já demitidos e outros que aguardam desligamento iminente.

Desde então, a maior parte dos trabalhadores teve seus acessos aos sistemas internos bloqueados, estando paralisados e sem canais oficiais de comunicação com a empresa, que agora dialoga principalmente por grupos de WhatsApp.

Um funcionário relatou que não possui reserva financeira e recentemente assumiu um financiamento, além de enfrentar problemas de saúde, o que torna a situação ainda mais delicada.

Criado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank buscava ampliar a inclusão financeira, oferecendo produtos como cartão de crédito sem anuidade para clientes que talvez não se encaixassem no sistema bancário tradicional.

O banco digital ganhou força no Nordeste e chegou a 9 milhões de clientes no último ano. A liquidação foi decretada na última quarta-feira, mas a instituição estava sob regime especial de administração desde novembro.

A liquidação ocorre quando o Banco Central avalia que a instituição não pode ser recuperada, levando à interrupção das operações e sua retirada do sistema financeiro nacional.

O Banco Central informou que não foi possível encontrar solução após o Will Bank deixar de pagar as empresas da cadeia de cartões, incluindo a bandeira Mastercard.

O que acontece com os funcionários do banco?

Em casos de liquidação extrajudicial, os direitos trabalhistas têm prioridade na ordem de pagamento, pois são considerados essenciais para a sobrevivência dos trabalhadores, conforme a advogada trabalhista Elisa Alonso, do RCA Advogados.

Ela explica que salários, indenizações, férias e 13º salário devem ser pagos antes de fornecedores e outros credores comuns.

O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região informou que está monitorando a situação para garantir que os direitos dos trabalhadores do Will Bank sejam respeitados e busca contato com os responsáveis pela liquidação nomeados pelo Banco Central.

O sindicato afirma que o objetivo é assegurar que o encerramento da empresa não cause prejuízos aos trabalhadores e que todas as verbas rescisórias sejam pagas conforme a convenção coletiva da categoria.

O que acontece com os contratos de trabalho?

A liquidação não encerra automaticamente os contratos de trabalho. Segundo a advogada trabalhista Lorena Paiva, do Ferraz dos Passos Advocacia, a rescisão precisa ser formalizada, normalmente como demissão sem justa causa.

O liquidante pode manter alguns funcionários temporariamente para ajudar no fechamento da empresa.

Quais são os direitos em caso de demissão?

Segundo Lorena, os demitidos têm direito a todas as verbas rescisórias previstas na legislação, e as demissões devem respeitar as normas trabalhistas e os acordos coletivos da categoria.

Quando serão pagos os valores trabalhistas?

O pagamento das verbas depende do andamento da liquidação, que não tem prazo definido em lei. São necessárias várias etapas administrativas, como verificação de créditos e habilitação dos credores, para que os pagamentos sejam realizados.

A Lei 6.024/1974 estabelece que a intervenção pode durar até seis meses, prorrogáveis por mais seis, e após isso, a prioridade dos créditos trabalhistas deve ser respeitada.

Os funcionários entram automaticamente na lista de credores?

Não. Conforme Elisa Alonso, os ex-empregados precisam se habilitar formalmente como credores, apresentando documentos que comprovem vínculo e valores devidos, respeitando os prazos da liquidação. Caso haja discordância, devem recorrer à Justiça do Trabalho.

O que os trabalhadores devem fazer?

Lorena Paiva recomenda que os empregados procurem o sindicato ou um advogado para avaliar sua situação e orienta que mantenham documentos e provas do vínculo e das condições de trabalho, pois podem ser necessários para reivindicar direitos.

Existe risco de não receberem integralmente as verbas?

Sim, atrasos e incertezas são comuns em processos de liquidação, especialmente quando a empresa enfrenta dificuldades financeiras. No entanto, os direitos permanecem e os valores podem ser cobrados judicialmente, mantendo a prioridade na ordem de pagamento.

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