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Culinária

Frutas desidratadas são práticas, mas não substituem as frutas frescas

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

DANIELLE CASTRO
RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS)

As frutas desidratadas, que parecem pequenos chips crocantes, estão ganhando popularidade nas redes sociais e nas lojas como uma alternativa para quem quer diminuir o consumo de doces e ter uma alimentação mais saudável. Além de fáceis de levar e prontas para comer, esses petiscos podem ser encontrados até em lojas online.

Especialistas em nutrição alertam para o consumo com moderação. “A fruta desidratada pode fazer parte de uma alimentação saudável, mas ao retirar a água, a fruta fica mais concentrada, inclusive em açúcar”, explica Thays Ribeiro, nutricionista e diretora da Associação Paulista de Nutrição (Apan).

Thays Ribeiro destaca que, por ser seca, o volume diminui e a pessoa pode acabar comendo uma quantidade maior do que consumiria da fruta fresca. “A fruta desidratada não é uma vilã, mas não substitui a fruta fresca que contém água e ajuda a dar sensação de saciedade”, completa.

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Apesar da perda de algumas vitaminas sensíveis ao processo, a fruta desidratada pode ser uma boa opção de lanche prático para quando estamos fora de casa.

Thaisa Navolar, mestre em saúde coletiva e coordenadora de pós-graduação em Nutrição Vegetariana da Plenitude Educação, afirma: “O processo de desidratação mantém nutrientes importantes, como vitaminas, minerais e antioxidantes. As fibras também são preservadas, assim como os carboidratos, que fornecem energia”.

O que é o processo de desidratação?

Esse processo retira a água das frutas e legumes, deixando-os crocantes e mais duráveis que a versão natural.

Diferente da desidratação feita com calor, o alimento é congelado e seco a vácuo, por um processo chamado sublimação.

Segundo Thays Ribeiro, qualquer fruta pode ser desidratada, das mais firmes, como banana e mamão, até as mais suculentas, como limão, laranja, morango, kiwi e abacaxi.

Thaisa Navolar explica que esse método preserva melhor os nutrientes e aromas do que a desidratação feita em casa, na air fryer ou no forno.

Para preparar em casa na air fryer ou forno, use pouco sal, azeite e temperos naturais.

Thaisa Navolar ainda diz: “Legumes feitos na air fryer também são uma opção rápida para uma salada, jantar ou para incluir mais vegetais na alimentação de crianças com seletividade alimentar”.

Como consumir frutas desidratadas?

Thaisa Navolar destaca: “Frutas desidratadas são ótimas para ter na bolsa e evitar alimentos ultraprocessados quando estamos fora ou no trabalho”.

Ela recomenda cuidar das porções, pois como são leves e ocupam menos espaço, é fácil exagerar. O ideal é consumir cerca de 20g, junto com alimentos ricos em fibras, como pudim de chia, frutas com aveia ou snacks com castanhas.

Thays Ribeiro aconselha verificar se o produto tem aditivos e escolher opções feitas só com frutas.

“É importante lembrar que fruta desidratada é um produto industrializado. Alguns vêm com açúcar, xaropes, chocolate, sal ou óleo adicionados”, alerta a nutricionista.

Ela complementa que a quantidade ideal depende da dieta e da fruta. “Não se deve consumir livremente”, reforça.

Crianças e atletas

Frutas desidratadas podem ser consumidas por todos, exceto por quem tem restrições alimentares específicas. Pessoas com diabetes devem ficar atentas ao açúcar concentrado e limitar a porção conforme orientação médica. Isso porque a retirada da água reduz o peso da fruta de 80% a 90%, então 10g a 20g de fruta desidratada equivale a 100g da fruta fresca.

Thaisa Navolar explica: “Para atletas, esse tipo de fruta é uma ótima opção de pré-treino ou para provas longas, como corrida e ciclismo, pois fornece carboidratos rapidamente”.

Para crianças, a recomendação é usar frutas desidratadas (ou secas em air fryer) para introduzir novos sabores, sem deixar de incentivar o consumo das frutas frescas.

Thays Ribeiro comenta: “A remoção da água deixa a fruta crocante e leve, semelhante a um salgadinho. Muitas crianças não rejeitam o sabor das frutas, mas sim a textura mais úmida e cremosa”.

Ela reforça que crianças preferem alimentos mais firmes e com sabor consistente. “A desidratação ajuda nisso”.

Desidratar frutas e legumes pode estimular crianças a experimentar alimentos novos. “Não significa que, após provar uma fruta desidratada, a criança vai aceitar a fruta fresca, mas pode ser uma forma de aproximação”, conclui.

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