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Frota de veículos no DF aumentou mais de 20% em cinco anos

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Desenho da malha viária e a característica de polo de atração de mão de obra, saúde e educação, contribuem para o fluxo intenso. Para moradores da capital e do Entorno, a ida e o retorno do trabalho exige paciência

Congestionamentos são constantes nos horários de pico na EPTG. Demora nos deslocamentos diários é agravada quando há acidentes

Acelera, freia, pisa na embreagem e engata a marcha. No início da manhã ou no fim da tarde, dirigir no Distrito Federal exige paciência do condutor. Aos 1.712.481 veículos registados aqui se juntam outros milhares de carros, motos, ônibus e caminhões vindos de cidades goianas e mineiras que rodeiam o DF. Há cinco anos, eram pouco mais de 1,4 milhão de automóveis circulando pelas vias da capital federal, um aumento de mais de 20%. O resultado é previsível: a cada ano aumentam os pontos de congestionamento. Mesmo quando não há registro de acidentes, o fluxo intenso de veículos deixa o trânsito parado e aumenta o tempo de deslocamento de quem usa o transporte público ou o individual. Nos caminhos que levam ao centro do poder, os piores trechos estão na EPTG, ao longo da Estrutural, na entrada do Eixão Norte, entre outros (veja quadro).

O sistema de monitoramento do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) revela que cerca de 200 milhões de veículos trafegam pela capital por mês. Por ser um polo de educação, saúde e mão de obra, grande parte da população das regiões administrativas e das cidades do Entorno precisa se deslocar até a área central de Brasília diariamente. Se o percurso é feito inevitavelmente no horário de pico, o estresse é constante.
Moradora de Vicente Pires, a psicóloga Carla Guimarães, 26 anos, passa pela Estrada Parque Taguatinga (EPTG) diariamente. Ela conta que fica mais de 40 minutos no engarrafamento, tanto para sair de casa quanto para voltar. “Quando não está engarrafado, levo pouco mais de 15 minutos. O pior de tudo é que a gente acaba se acostumando com essa situação. Brasília não deveria ser assim”, lamenta. Mesmo fora dos horários mais movimentados, a psicóloga reclama do fluxo intenso de veículos. “Fim de sábado, e até mesmo no domingo, a gente pega o trânsito travado aqui. Se acontecer acidente, então, pode esquecer”, relata.
Neste cenário, a simples queda de uma árvore sobre a via pode causar um nó no trânsito. Foi o que aconteceu há oito dias. Uma árvore caiu sobre dois postes de iluminação pública e interditou um trecho da EPTG, na altura do Viaduto Israel Pinheiro, sentido Plano Piloto. O congestionamento começou no início da manhã e o tráfego só foi normalizado no fim da tarde. Moradores de Taguatinga e de Águas Claras ficaram presos na enorme fila de carros.

Atraso

O motorista Luciano Bragança Soares, 37, mora em Santa Maria e, todos os dias, sai de casa às 4h40 para chegar ao trabalho, no Setor de Oficinas Sul, às 7h. O caminho passa pela BR-040.  “Eu pego muito trânsito na saída de Santa Maria, no Catetinho e na altura da Floricultura. É sempre um engarrafamento intenso. Frequentemente eu me atraso, principalmente na hora de entrada no serviço, mas, geralmente, o meu chefe compreende”, conta. Como Luciano trabalha com baterias de carro, nem sempre consegue ser pontual em suas entregas, em decorrência do alto fluxo de veículos. “Os piores horários são às 7h e às 11h, em decorrência do horário de almoço. Com isso, a gente acaba atrasando as entregas. Os clientes questionam muito, mas, como conhecem o trânsito de Brasília, acabam entendendo”, acrescentou.

Falta de comunicação

O desenho da malha viária, com poucas ligações entre elas, e a característica de Brasília como polo de atração de mão de obra, saúde e educação, contribuem para o fluxo intenso. Mas a especialista em transporte e professora do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Brasília (UnB) Michele Andrade explica que parte desses problemas ocorre porque a comunicação entre os órgãos de trânsito e a população não é eficiente.
De acordo com ela, o baixo número de agentes e a grande demanda de serviço também estão entre os fatores que dificultam a gestão eficaz do tráfego. “Esse é um aspecto deficiente no Brasil como um todo. Há equipamentos e possibilidade de comunicação em tempo real. Porém, o que a gente percebe é que eles não têm efetivo suficiente e talvez não estejam tão preparados como deveriam para usar a tecnologia a seu favor”, afirma.
A estudiosa defende ainda que deveria haver uma central para a gestão de tráfego. Assim, quando uma colisão ou um incidente qualquer bloquear o trânsito em determinada região, os gestores têm condição de deslocar agentes para orientar os condutores sobre alternativas ou previsão de liberação da pista. “Muitas vezes, os órgãos estão apagando incêndio e não conseguem se planejar para prevenir que ele aconteça”, observa Michele.
Além de melhorar a gestão de informações e incrementar o número de agentes de trânsito, a especialista destaca que o investimento em transporte público é a solução para reduzir os gargalos. Se por um lado a distribuição da malha contribui para os congestionamentos, de outro, ela também é propícia para a circulação de ônibus e a ampliação das linhas de metrô. “Temos grandes áreas e poucas vias de acesso. No entanto, por ser plana, nossa geografia é propícia para instalação da rede metroviária e para implementação de corredores de ônibus. Isso criaria confiança no transporte público e diminuiria o fluxo de automóveis”, conclui.

Novas tecnologias

O diretor-geral do Detran, Silvain Fonseca, aponta como empecílio para a melhoria desse quadro o baixo contingente de agentes — cerca de 500 atualmente. “A cidade cresceu e o número de agentes, não”, observa. Apesar disso, considera que tem havido avanços na gestão do trânsito. Os drones, o helicóptero, o monitoramento das vias por meio de câmeras e o GPS com comunicação são ferramentas usadas para amenizar o impacto dos congestionamentos. “Por meio do simulador de tráfego, conseguimos solucionar o gargalo do Eixo Monumental. Também melhoramos alguns cruzamentos, como o da Epig e o do Parque da Cidade”, cita.
Ele rebate as críticas de que falta integração entre os órgãos. Explica que, por meio da Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social (SSP-DF), tanto o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) quanto a Polícia Militar do DF e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) conseguem trabalhar de forma integrada. “O próximo passo do Detran é investir em tecnologia para realizarmos mais melhoras.”
Por meio da assessoria de imprensa, o DER informou que, em 2017, realizou obras de pavimentação de rodovias, restauração de pavimentos, construiu viadutos e atuou no monitoramento e na fiscalização do trânsito. Além disso, ressaltou que há integração entre os órgãos responsáveis pelo trânsito no DF e que os dispositivos, como câmeras, caminhões e guinchos são utilizados de forma efetiva para melhorar o tráfego no Distrito Federal.
Colaborou Sarah Peres, especial para o Correio
* Estagiário sob supervisão de Adriana Bernardes
1,7
milhão
Número de veículos registrados no DF
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Política BSB

PSL negocia vice-presidência da Câmara em troca de apoio a Lira

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Assunto foi tratado nesta quarta-feira (27/1), durante café da manhã de deputados do partido com Bolsonaro; atualmente, o vice da chapa do candidato é do PL

(crédito: Luis Macedo/Camara dos Deputados)

Em café da manhã nesta quarta-feira (27/1) com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio da Alvorada, deputados do PSL confirmaram que votarão em Arthur Lira (PP-AL) na eleição para a presidência da Câmara, marcada para a próxima segunda-feira (1º/2). Uma das condições do partido, porém, é ocupar a vice-presidência da Casa em uma eventual vitória de Lira. Essa exigência deve trazer dor de cabeça para o candidato alagoano, que tem como vice da chapa, desde o início da campanha, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM).

O PSL tem sido alvo de disputa entre as candidaturas de Lira e de seu principal adversário, Baleia Rossi (MDB-SP). Inicialmente, o partido apoiava o emedebista, mas 36 deputados da legenda, a maioria da bancada, decidiram aderir ao candidato do PP. O PSL está rachado em dois grupos desde que Bolsonaro se desfiliou da sigla, em 2019, em meio a uma disputa pelo controle da máquina partidária.

O café da manhã, que não constava da agenda oficial de Bolsonaro, reuniu 30 deputados do PSL. O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, também compareceu.

Na saída do encontro, Bolsonaro disse, em frente ao Palácio da Alvorada, que espera “participar e influir” na eleição para a presidência da Câmara. “Viemos fazer uma reunião, aí, com 30 parlamentares do PSL e vamos, se Deus quiser, participar e influir na presidência da Câmara com estes parlamentares, de modo que possamos ter um relacionamento pacífico e produtivo para o nosso Brasil”, afirmou o presidente.

O PSL tenta emplacar como vice na chapa de Lira o deputado Major Vítor Hugo (GO), que já foi líder da sigla na Câmara. Essa informação foi confirmada ao Correio por Bibo Nunes (RS), um dos presentes ao café da manhã. “Vamos tentar pegar a primeira vice com o Major Vitor Hugo. Vamos tentar, pois somos 36 deputados do PSL. A maioria”, disse Nunes.

O parlamentar gaúcho também fez campanha para Vítor em um vídeo divulgado pelas redes sociais, divulgado após o café da manhã. Nas imagens, ele apresenta o deputado goiano como “o homem da Mesa” e diz que, apesar de não ser astrólogo, o colega “será o vice-presidente, merecidamente, para o bem da Câmara e por bem dos aliados do presidente” Bolsonaro.

Maia

A interferência do chefe do Executivo na disputa interna da Câmara tem incomodado o atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), principal apoiador da candidatura de Baleia Rossi. Na terça-feira (26), Maia ligou para o ministro Ramos, responsável pela articulação política do governo, para reclamar da interferência do Planalto na eleição.

A disputa pela vice-presidência na chapa de Lira deve trazer algum desconforto para a relação entre o candidato e o PL, atual ocupante da posição. Como na eleição para a presidência da Câmara, o voto será secreto, qualquer movimento em falso dos candidatos pode abrir caminho para “traições” de última hora.

 

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Política BSB

Decreto que cria Política de Modernização do Estado é publicado no DOU

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Caberá ao Fórum Nacional de Modernização do Estado propor a adoção de modelos e estratégias nacionais ou internacionais que envolvam a temática de modernização do Estado

(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

O governo federal publicou hoje (27), no Diário Oficial da União (DOU), um decreto instituindo o programa a Política Nacional de Modernização do Estado (Moderniza Brasil) e o Fórum Nacional de Modernização do Estado. Segundo o decreto, a política tem por objetivo direcionar os esforços governamentais para aumentar a eficiência e modernizar a administração pública, a prestação de serviços e o ambiente de negócios para melhor atender às necessidades dos cidadãos.

A atuação se dará por meio da integração de ações de modernização já existentes, com coordenação, articulação, adequação, monitoramento e avaliação das políticas, programas, ações e iniciativas do Poder Executivo Federal, em parcerias da União com estados, Distrito Federal e iniciativa privada.

Entre os princípios da política estão o foco nas necessidades dos cidadãos; a simplificação normativa e administrativa; a confiabilidade na relação Estado-cidadão e a competitividade dos setores público e privado.

Caberá ao Fórum Nacional de Modernização do Estado propor a adoção de modelos e estratégias nacionais ou internacionais que envolvam a temática de modernização do Estado, auxiliar na elaboração de um plano de modernização e traçar as diretrizes para a concessão de um selo de modernização do estado criado com a política.

O fórum será presidido pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República e contará com representantes dos ministérios da Economia; Comunicações; Ciência, Tecnologia e Inovações; da Controladoria-Geral da União; da Secretaria de Governo da Presidência da República, e da Advocacia-Geral da União.

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Sob pressão, Baleia Rossi tenta conter dissidências e reduzir apoio a Arthur Lira

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No PSB, apoiadores de Lira dizem que não há 16 de 31 assinaturas necessárias para aderir ao bloco de Baleia

 

O crescimento da dissidência a favor de Arthur Lira (PP-AL) no DEM abriu uma crise entre os dois principais caciques do partido (Montagem/Exame)

A menos de uma semana da eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, a campanha de Baleia Rossi (MDB-SP) intensificou a operação para evitar mais “traições” a favor de Arthur Lira (PP-AL) que colocariam em risco suas pretensões. Baleia, apoiado pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está sob risco de perder votos em diversos partidos de seu bloco, como o PSB, PSDB, DEM, MDB e PT, para Lira, candidato do presidente Jair Bolsonaro.

Uma das maiores fragilidades da campanha está no PSB — apoiadores de Lira dizem que não há 16 de 31 assinaturas necessárias para aderir ao bloco de Baleia. A cúpula do partido pressiona para que os parlamentares fiquem fiéis ao candidato do MDB, mas há cerca de 18 deputados simpáticos a Lira no partido, na contagem dos apoiadores do deputado do PP.

Contra orientação de Maia, onze deputados do DEM já declaram voto em Arthur Lira

O crescimento da dissidência a favor de Arthur Lira (PP-AL) no DEM abriu uma crise entre os dois principais caciques do partido, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), e o presidente da legenda, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, dois antigos aliados. Onze deputados da sigla já afirmam que votarão em Lira, que tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro, e não em Baleia Rossi (MDB-SP), patrocinado por Maia.

Ainda há dois ministros do governo, Onyx Lorenzoni (Cidadania) e Tereza Cristina (Agricultura), que voltarão à Casa para votar no preferido do Planalto, somando 13 parlamentares. O DEM terá 30 votos na eleição, que ocorre na segunda-feira.

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São Paulo abrirá escolas públicas para oferecer merenda aos alunos

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Ao todo, serão 5 mil escolas que passarão a oferecer refeições aos estudantes a partir do dia 1º de fevereiro

João Dória em coletiva de Imprensa com Área do Governo e Área da Saúde Local: São Paulo/SP Data: 20/01/2021 (Governo do Estado de São Paulo/Divulgação)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta quarta-feira, 27, que, a partir do dia 1º de fevereiro, as escolas estaduais irão abrir, pelo modelo de revezamento para evitar aglomerações, a fim de oferecer merenda aos alunos da rede pública. Ao todo, serão 5.000 escolas que passarão a oferecer refeições aos estudantes.

“O objetivo é garantir a segurança alimentar, principalmente aos alunos mais vulneráveis, um total de 770.000 estudantes da rede pública estadual de ensino”, afirmou o governador durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Segundo o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, a partir deste período as escolas também estarão abertas para orientar os alunos a respeito do uso de tecnologias virtuais de aprendizagem, incorporadas à rede pública para garantir o aprendizado durante fase de capacidade reduzida das salas de aula.

Rio Pinheiros

Doria anunciou também a apresentação do Novo Parque do Rio Pinheiros. Segundo o governador, a área de lazer e esportes terá 8 quilômetros de extensão e 65.000 m2 de área verde. “As obras deste parque começam na próxima semana com previsão de 12 meses para sua conclusão. Até 28 de janeiro de 2022, o Novo Parque do Rio Pinheiros estará entregue à população”, disse. Segundo o governador, o investimento de 30 milhões de reais foi feito pela iniciativa privada.

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Inquérito no STF piora situação de Pazuello na Saúde

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Ministro do STF Ricardo Lewandowski acolhe pedido do procurador-geral Augusto Aras e dá sinal verde para a abertura de inquérito contra o titular da Saúde. Para Rodrigo Maia, a omissão na crise do oxigênio é suficiente para a abertura de CPI

(crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski acatou, ontem, o pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, e autorizou a abertura de inquérito contra o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para apurar a conduta dele na crise do Amazonas. O prazo inicial das investigações, que fica a cargo da Polícia Federal, é de 60 dias.

Lewandowski determinou que haja oitiva de Pazuello, para esclarecer as ações tomadas em relação à situação do sistema de saúde de Manaus, cinco dias após ser intimado e que sejam enviados os autos à autoridade policial “para fins de adoção das medidas investigativas que entender cabíveis, sem prejuízo do requerimento posterior pelo Ministério Público Federal de outras que se revelarem necessárias.” Ambos foram pedidos de Aras.

Na decisão, o ministro do Supremo traz informações colocadas pelo procurador-geral que apontam a demora do ministro a agir diante da crise. “Embora tenha sido constatado o aumento do número de casos de infectados pela covid-19 já na semana do Natal de 2020, o ministro da Saúde optou por enviar representantes da Pasta a Manaus apenas em 3/1/2021, ou seja, uma semana após ter sido cientificado da supra da situação calamitosa”, salienta Lewandowski.

A capital amazonense entrou em colapso pela falta de cilindros de oxigênio e com pacientes morrendo asfixiados em unidades de saúde. Pazuello admitiu que sabia da iminência da falta do insumo em 8 de janeiro, seis dias antes de o sistema mergulhar no caos. Foi devido a essa informação que ele e sua equipe foram para Manaus, no dia 9. Na ocasião, o ministro lançou um aplicativo que incentiva o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19.

A petição de Aras foi distribuída pela vice-presidente Rosa Weber a Lewandowski, que, logo em seguida, admitiu a solicitação do procurador-geral. Ainda no despacho, o ministro do STF cita outros trechos do pedido e um deles refere-se a um documento da pasta da Saúde relativo à crise de Manaus, de 6 de janeiro, que “citam-se como principais conclusões do encontro e da viagem de reconhecimento a Manaus a possibilidade iminente de colapso do sistema de saúde, em 10 dias, devido à falta de recursos humanos para o funcionamento dos novos leitos”.

Durante o período em que ficou em Manaus, pouco antes de o sistema colapsar, Pazuello ainda lançou o aplicativo TrateCov, que recomendava o tratamento precoce com a prescrição de medicamentos ineficazes contra a covid-19, como a cloroquina e ivermectina. O app foi tirado do ar na semana passada.

Desgaste

A crise de Manaus e o fato de que Pazuello sabia do iminente caos desgastaram o ministro e o governo. Por conta desse quadro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu, ontem, a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar a atuação do ministro durante a pandemia. “Em relação ao ministro, eu não tenho dúvidas que já tem crime. Pelo menos o ministro da Saúde já cometeu crime. Eu não tenho dúvida nenhuma”, disse.

O pedido de abertura de investigação feito pela PGR foi encaminhado à procuradoria pelo partido Cidadania, que argumenta que o ministro cometeu crime de prevaricação e improbidade administrativa. Presidente nacional da legenda, o ex-deputado Roberto Freire criticou a conduta de Pazuello diante da crise na capital amazonense.

No último sábado, data em que o PGR enviou o pedido de abertura de inquérito ao STF, Pazuello foi para Manaus, onde deve ficar “o tempo que for necessário”, segundo a pasta da Saúde. Depois que foi divulgado que ele sabia da crise da capital dias antes da explosão, o ministro disse, em uma coletiva, em 18 de janeiro, que nunca autorizou a produção de protocolos indicando medicamentos contra a covid-19 –– o que se choca com um protocolo na pasta que indica uso de cloroquina.

Olhar atento

Com o desgaste, o Centrão está de olho no cargo de Pazuello. O líder do governo, Ricardo Barros (PP-PR), foi ministro da Saúde no governo de Michel Temer e é um candidato forte. Mas, na avaliação do cientista político da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) Ricardo Ismael, apesar da pressão, Bolsonaro entende que o melhor é atravessar a pandemia ao lado do general. Isso porque Pazuello tem servido de escudo contra ataques à ineficiência do governo na crise sanitária.

“Acredito que Bolsonaro o manterá. Demiti-lo em meio ao caos da saúde jogaria luz na falta de política do governo para o novo coronavírus. Pazuello está desgastado com o caso de Manaus e o atraso na vacinação. Mas, por outro lado, tem evitado que a bomba estoure no colo do presidente”, observou.

Para Ribeiro, missão no MEC é “espiritual”

 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou, durante um culto religioso, no último domingo, em Santos (SP), que seu papel na pasta do governo federal é “mais espiritual do que político”. A pregação na Igreja Presbiteriana Jardim de Oração, da qual é pastor, foi transmitida ao vivo e o vídeo estava no canal do You Tube da instituição, mas foi retirado do ar após divulgação das palavras dele.

“Nós queremos tirar o Brasil de um rumo de desastre, em que valores como família, como criação de filhos, o que é certo, o que é errado, pudessem ser novamente preestabelecidos. A Bíblia diz que haveria um tempo em que as pessoas iriam chamar o que é errado de certo, e o que é certo de errado”, pregou.

Ribeiro foi à cidade do litoral paulista para visitar um colégio onde foram aplicadas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e compareceu à igreja. No culto, ainda afirmou que o inquérito o qual responde no Supremo Tribunal Federal (STF) também tem a ver com algo que está na Bíblia.

“Até mesmo o inquérito que eu enfrento no Supremo Tribunal Federal tem a ver com isso, com algo que Jesus não tem nenhum receio de dizer que não é o caminho certo. Estou muito tranquilo, meu coração está tranquilo. Esse é um desabafo que eu faço com a minha igreja: meu coração está tranquilo. Porque não fui chamado ao Supremo Tribunal Federal para responder por desvio de dinheiro, nem por coisas erradas, mas porque eu disse o que a Bíblia diz e ponto final”, afirmou.

Homofobia
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo que fosse aberto um inquérito contra Ribeiro para apurar se cometeu crime de homofobia em uma entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, no segundo semestre do ano passado. Na ocasião, ele disse que o “homossexualismo (sic)” é “fruto de famílias desajustadas”. A PGR chegou a oferecer um acordo, no qual ele teria que admitir que cometeu crime ao fazer tal afirmação, mas o ministro recusou.

Ainda no culto, Ribeiro afirmou que “nunca houve no governo do Brasil um grupo de ministros com três pastores”. “E uma das coisas que eu tenho feito questão de dizer é que eu não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Eu simplesmente não me envergonho. Eu simplesmente digo a todo lugar, a toda hora, a todo tempo, e fora de tempo, que eu creio, em quem eu creio e muitas vezes nas minhas reuniões no ministério eu falo a respeito da minha fé, daquilo que eu tenho por valor, por princípio”, afirmou.

O ministro acredita que “foi por isso que Deus” o colocou onde está. “Quero aproveitar as oportunidades, e Deus tem me dado essa oportunidade. Tem me dado uma oportunidade de ter conversas a sós com o presidente da República, de orar por ele, de pedir a Deus direção e sabedoria”, afirmou.

E completou: “Vivemos tempos diferentes. Por isso, eu quero crer que até as forças do inferno se levantam contra nós. Eu não tenho dúvida disso”. (ST)

Mourão elogia colega de caserna

O vice-presidente Hamilton Mourão saiu, ontem, em defesa de Eduardo Pazuello por causa do pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) de abertura de inquérito contra o ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, existe muito “disse me disse” sobre a situação do titular da pasta da Saúde, que está em Manaus devido ao colapso no sistema hospitalar –– e não tem data para retornar da capital amazonense.

“Acho que a melhor linha de ação é que se chegue à conclusão do que aconteceu”, disse Mourão, quando perguntado sobre a situação do ministro da Saúde, que vem sendo duramente criticado pela gestão das vacinas contra a covid-19 e é apontado como um dos responsáveis pela crise da falta de oxigênio em Manaus, pois soube da baixa do suprimento três dias antes de começarem as primeiras mortes por asfixia.

“Eu tenho acompanhado o trabalho do ministro Pazuello. Sei que ele tem feito um trabalho meticuloso e de forma honesta e competente. Então, que se investigue e se chegue à conclusão do que aconteceu na realidade”, disse Morão, sobre o inquérito.

O vice minimizou a falta de insumos e imunizantes prontos para vacinar a população. Ele citou dados de outros países, afirmando que o impasse não ocorre apenas no Brasil. “Esse problema não é só aqui. O mundo inteiro acompanha o placar das vacinas”, disse Mourão.

Ruídos
Segundo ele, o Brasil poderá estar na quinta ou na sexta colocação mundial em número de vacinados “brevemente”, apesar de a imunização não significar um alcance satisfatório em relação à quantidade de pessoas. “A solução para o Brasil é mantermos os contratos (de vacinas) e acionarmos os contratos que foram feitos”, explicou.

Mourão enumerou “ruídos” em torno da vacinação contra a covid-19 e o colapso na saúde em Manaus, além da sucessão no Congresso, como razões para a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro. De acordo com pesquisa do Datafolha, publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, na última sexta-feira, a avaliação positiva do governo (ótimo e bom) caiu de 37% em dezembro para 31% em janeiro, enquanto que a avaliação negativa (ruim e péssimo) passou de 32% para 40%.

“O governo está fazendo o possível e o impossível para ter um fluxo contínuo (de vacinação) e também aquela questão de Manaus. No momento em que isso for esclarecido, acho que diminuirá esse ruído”, afirmou, citando em seguida a eleição para as presidências da Câmara e do Senado. “Então, semana que vem eu acho que baixam um pouco as tensões”, observou.

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Política BSB

Defendida por Bolsonaro, vacina brasileira ainda precisa de verba, diz Pontes

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As três vacinas em estágio mais avançado, de acordo com Pontes, são produzidas em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e com a Universidade de São Paulo

Marcos Pontes: o que falta para esses projetos avançarem, entretanto, é uma verba de aproximadamente R$ 390 milhões (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Apontado pelo presidente Jair Bolsonaro como “um cara diferenciado”, o ministro Marcos Pontes, da Ciência, Tecnologia e Inovações, foi encarregado ainda em 2020 de desenvolver uma vacina brasileira contra a covid-19.

Com a ajuda de um time de cientistas reunidos na “Rede Vírus MCTI”, ele afirma em entrevista ao Estadão que 15 protocolos foram criados desde então e três modelos estariam ‘a ponto de bala’ para entrarem na fase clínica de testes, em voluntários humanos. O que falta para esses projetos avançarem, entretanto, é uma verba de aproximadamente R$ 390 milhões.

As três vacinas em estágio mais avançado, de acordo com Pontes, são produzidas em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com a Universidade de São Paulo (USP). Com tecnologias diferentes, elas ainda estão prestes a iniciarem os testes da fase 3 (em humanos), e a previsão do ministro é que estejam disponíveis no último trimestre deste ano, caso consiga o dinheiro necessário.

No momento, ele afirma que tenta conseguir essa verba por leis de incentivo, pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) ou até pela iniciativa privada. Pontes também defende as bolsas do CNPq, agência de fomento que dá auxílios de pesquisa, diz que “briga” para não cortar o apoio à pesquisa científica no País e afirma que uma vacina brasileira é “obrigatória”. “Funciono aqui como se fosse um míssil. Você não precisa direcionar o tempo todo, mas dispara e coloca o objetivo que eu vou chegar lá.” Leia a entrevista completa:

Quando foi feito o pedido de uma vacina brasileira? E como vocês têm desenvolvido isso nos últimos meses?

Essas vacinas brasileiras entraram na estratégia do MCTI ainda no ano passado. Em fevereiro, antes de a pandemia acelerar no País, montamos um comitê permanente de cientistas e pesquisadores, divididos em grupos que chamamos de Rede Vírus MCTI. Essa não vai ser a nossa última pandemia, temos 100% de chances de outras pandemias e piores que essa.

São esses cientistas que dão ao ministério as diretrizes de qual é a melhor maneira para o País enfrentar a pandemia a partir da ótica da ciência. Criamos uma estratégia com ações imediatas (prevenção, diagnósticos, tratamentos inicial e avançado) e continuadas (sequenciamento genético do vírus, conhecimento da doença, vacinas nacionais e infraestrutura para o enfrentamento).

Estamos aproveitando a situação e o que observamos durante essa pandemia para preparar melhor o País para as futuras gerações. Então, melhoramos a quantidade de laboratórios com nível de biossegurança 3, criando uma rede de laboratórios de campanha e agora estamos com um projeto para o nível de biossegurança 4.

Lá no começo, eles falaram para investir em vários protocolos diferentes de vacina, com vírus inativado (modelo usado na Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, de São Paulo), proteína de espículas, RNA mensageiro (modelo usado nos imunizantes da Pfizer e da Moderna) etc. O Brasil tem um programa nacional de imunização muito robusto, mas a nossa fragilidade é depender de insumos importados. Para prepararmos melhor o País, precisamos desenvolver o ciclo completo, desde o estudo inicial e do insumo à produção em escala.

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

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