Tatiana Brillant, negociadora da tropa de elite francesa, revela detalhes decisivos sobre os desafios da negociação em situações extremas.
Há dez anos, a França enfrentou um período dramático marcado por atentados terroristas, incluindo o ataque ao jornal Charlie Hebdo e a tomada de reféns no Hyper Cacher, além dos ataques no Stade de France, bares e restaurantes e o Bataclan. Naquele tempo, Tatiana Brillant, então única mulher oficial no RAID — unidade de elite da polícia francesa — esteve no centro das operações de crise.
Em entrevista, Tatiana Brillant explicou que sua presença como mulher nas negociações frequentemente desarmava os interlocutores, reduzindo o confronto e facilitando o diálogo. Essa dinâmica era especialmente importante em situações agressivas, nas quais a tensão diminuía instantaneamente com sua intervenção.
Ela ressaltou que, embora o tempo tenha trazido alguma serenidade, a dor dessas experiências permanece. A memória das vítimas é sempre prioridade nas lembranças dos profissionais envolvidos.
Tatiana Brillant destacou que negociar com terroristas é possível, dependendo do perfil e das demandas dos envolvidos. Mesmo jihadistas determinados a morrer podem ser abordados, pois o objetivo é sempre encontrar uma alternativa à violência extrema, visando a rendição pacífica e a segurança das pessoas.
O papel do negociador é estabelecer comunicação, administrar a tensão e obter uma resolução pacífica, seja libertando reféns ou convencendo o indivíduo a se entregar. A empatia, a escuta ativa e a compreensão das motivações do interlocutor são essenciais para o sucesso dessas negociações.
Tatiana Brillant conta que sua frase inicial em toda negociação era “Estou aqui para ajudar”, sinalizando que o objetivo é entender a situação e buscar soluções, não julgar os envolvidos.
Ao longo de sua carreira, ela participou de centenas de intervenções, cada uma deixando aprendizados importantes. A diferença entre o treinamento e a realidade do campo é grande, e as experiências práticas moldaram sua abordagem e compreensão do trabalho policial em contextos de terror.
