Tatiana Brillant, negociadora da tropa de elite francesa, compartilha detalhes importantes sobre os desafios enfrentados na negociação em situações críticas.
Há uma década, a França enfrentou ataques traumáticos, incluindo o atentado ao jornal Charlie Hebdo, além de outras ações terroristas graves que marcaram o país profundamente. Tatiana Brillant, então negociadora da unidade RAID, esteve envolvida diretamente nas operações de crise durante esse período.
Em entrevista, ela comenta que sua presença como única mulher oficial na unidade influenciava o ambiente das negociações. Muitas vezes, a presença feminina gerava surpresa e alterava a dinâmica, contribuindo para reduzir a tensão nos confrontos.
“Quando o interlocutor é agressivo, a presença da mulher pode diminuir a tensão e afastar a confrontação”, relata a negociadora.
Relembrar esses eventos importantes, mesmo após muitos anos, ainda traz uma mistura de sentimentos, com a dor das perdas permanecendo presente, mas também com um certo alívio proporcionado pelo tempo.
Tatiana Brillant aponta que o terrorismo envolve diferentes perfis e que a negociação, apesar de complexa, é possível e necessária em muitos casos, mesmo quando o oponente está disposto a morrer.
Ela enfatiza que o papel do negociador é criar uma comunicação para estabilizar a situação, administrar a tensão e buscar uma resolução pacífica, priorizando sempre a preservação da vida.
Para iniciar o diálogo, costuma usar a frase simples: “Estou aqui para ajudar”, adotando uma postura empática que facilita a compreensão das motivações do interlocutor e mantém o canal de comunicação aberto.
Ao longo de 13 anos, Tatiana Brillant participou de centenas de negociações, onde o foco principal era sempre o mesmo: salvar vidas e buscar alternativas pacíficas para conflitos extremos.
