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sábado, 31/01/2026

França enfrenta nova crise após Parlamento derrubar premiê

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Com a saída do primeiro-ministro François Bayrou, a França iniciou uma nova fase na crise política que tem assolado o país nos últimos tempos. A destituição do ex-premiê foi confirmada pela Assembleia Nacional na segunda-feira (8/9).

Contexto da Crise na França

A crise política na França começou em junho do ano passado. Na ocasião, o presidente Emmanuel Macron dissolveu a Assembleia Nacional e convocou novas eleições, depois do fracasso de seu partido nas eleições do Parlamento Europeu.

Nenhum grupo político conseguiu a maioria no Parlamento para garantir estabilidade governamental. A Assembleia Nacional ficou fragmentada, e os primeiros-ministros indicados por Macron não sobreviveram às pressões políticas, resultando em sucessivas quedas.

O governo de Macron também tem enfrentado críticas relacionadas à alta dívida pública e rejeição a medidas impopulares, como o plano de austeridade que prevê cortes de aproximadamente 44 bilhões de euros.

François Bayrou foi destituído após perder uma moção de confiança, com 364 deputados votando pela sua saída contra 194 que apoiaram sua permanência. Ele é o quarto primeiro-ministro a deixar o cargo em 2024, após diversas negociações entre Macron e o Parlamento.

Espera-se que Bayrou entregue o cargo ao presidente Macron nesta terça-feira (8/9), que agora precisa decidir os próximos passos para o futuro político do país. Conforme o sistema semipresidencialista francês, Macron pode indicar um novo primeiro-ministro entre os membros da Assembleia, dissolver o parlamento convocando novas eleições ou renunciar antes do fim do mandato. Esta última opção foi descartada, visto que o presidente garante permanecer no cargo até 2027.

Segundo o gabinete presidencial, após aceitar a renúncia de Bayrou, Macron nomeará um novo primeiro-ministro em breve.

Consequências e Análises

Desde 2017, Macron acumula derrotas políticas, principalmente após a dissolução da Assembleia em junho do ano passado. A previsão era que as eleições parlamentares fossem dominadas pela coalizão de centro-direita liderada por Macron e pelo partido de extrema-direita Reunião Nacional, comandado por Marine Le Pen.

Entretanto, a coalizão de esquerda chamada Nova Frente Popular conquistou mais cadeiras no Parlamento, sem obter a maioria. Essa fragmentação não só impediu a esquerda de pressionar para indicação de um primeiro-ministro aliado, como também dificultou a governabilidade para Macron, que não conseguiu formar uma coalizão estável nem garantir o apoio necessário para seus indicados ao cargo de premiê.

O cientista político Valdir Pucci comenta que a destituição de Bayrou é um revés significativo para Macron, que enfrenta dificuldades para montar um governo de coalizão forte e com maioria suficiente na Assembleia, complicando a gestão do país.

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