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sábado, 13/06/2026

Foz do Iguaçu é o centro do contrabando de canetas para emagrecer no Brasil

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Os medicamentos para emagrecer estão virando um dos principais produtos contrabandeados que entram pela fronteira de Foz do Iguaçu (PR).

O número de apreensões desse tipo de produto aumentou muito nos últimos meses. Dados da Alfândega da Receita Federal de Foz do Iguaçu mostram que, de janeiro a maio de 2025, 7.479 unidades foram apreendidas. Já neste mesmo período de 2026, esse número saltou para 79.837 unidades, um aumento de cerca de 1.000%.

Essas canetas para emagrecer são compradas no Paraguai por um preço 69% mais barato, o que motiva o contrabando. As apreensões cresceram muito principalmente depois que a Anvisa proibiu a entrada de algumas marcas desse medicamento no Brasil.

Cezar Vianna, chefe da Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu, comenta que o foco das fiscalizações está nos ônibus fretados com passagens suspeitas. Ele destaca que um aumento de 1.000% nas apreensões em um ano é algo muito incomum.

Hoje, a maior parte dos medicamentos são ampolas com ativos que são aplicados nas canetas para emagrecer. Por serem pequenas, essas ampolas são facilmente escondidas em bolsos, capacetes e até dentro de caixas térmicas.

Os contrabandistas usam diversos tipos de veículos para transportar esses produtos ilegalmente e os servidores da Receita já encontraram ampolas escondidas em potes de doce de leite, atrás de banheiros e em dutos de ar-condicionado de ônibus.

Todos os tipos de veículos são usados, como motos, ônibus de turismo e carros populares ou de luxo, como Land Rover, BMW e Mercedes, onde as ampolas são escondidas em compartimentos secretos.

‘Laranjas’, famílias e estudantes de Medicina

Não são só as redes de contrabando que buscam esses medicamentos. Muitas famílias que viajam para Foz do Iguaçu compram os remédios no Paraguai para uso próprio ou revenda.

Estudantes de Medicina que estudam no Paraguai também aproveitam para trazer as ampolas para o Brasil durante suas viagens diárias. O dinheiro obtido com essa prática ajuda no pagamento das mensalidades dos cursos.

Existem também pessoas chamadas “laranjas” que passam diariamente pela Ponte da Amizade, a pé ou de moto, para levar os produtos para pontos específicos em Foz do Iguaçu.

Um carregamento com 50 ampolas vale cerca de R$ 9 mil, mas quando chega ao Brasil o preço pode ser o dobro.

Outro ponto preocupante é que esses medicamentos são transportados sem controle de temperatura, o que pode comprometer a eficácia do produto.

A Receita Federal acredita que consegue apreender apenas cerca de 5% do total contrabandeado. Os medicamentos apreendidos ficam guardados temporariamente na Alfândega de Foz do Iguaçu para depois serem destruídos no estado de Goiás.

Fabricação no Paraguai

A proibição da entrada dessas canetas no Brasil acabou criando uma rede clandestina não só para o transporte, mas também para a fabricação do produto.

No final de março, donos de farmácias e depósitos em Ciudad del Este pediram proteção policial para evitar roubos de quadrilhas especializadas nesses medicamentos.

Em maio, a Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai emitiu alertas sobre medicamentos não registrados que podem conter substâncias perigosas para a saúde.

Não há informações claras sobre as dosagens e o modo de usar esses medicamentos.

Segundo a Anvisa, medicamentos registrados em outros países não podem ser vendidos no Brasil, e o mesmo vale para os remédios autorizados no Brasil que não podem circular fora do país.

A Anvisa já suspendeu a importação de vários medicamentos e também emitiu regras contra canetas falsificadas.

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