19.5 C
Brasília
terça-feira, 06/01/2026

Fontes de renda do PCC vão do tráfico ao contratos públicos

Brasília
chuvisco fraco
19.5 ° C
19.5 °
18.4 °
94 %
3.6kmh
100 %
ter
20 °
qua
21 °
qui
25 °
sex
27 °
sáb
25 °

Em Brasília

TÚLIO KRUSE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O Primeiro Comando da Capital (PCC) possui diversas fontes de dinheiro, que vão desde o comércio ilegal de drogas até contratos com órgãos públicos. Investigações recentes mostram que integrantes dessa organização criminosa têm recursos em pequenos negócios e grandes empresas, incluindo aquelas que prestam serviços para o governo e franquias espalhadas por diferentes regiões do Brasil.

Frequentemente, essas empresas são usadas para lavar dinheiro, escondendo a origem ilícita dos recursos. Contudo, investigação recentes revelam que membros do PCC começaram a investir o dinheiro obtido com o tráfico e outros crimes em negócios legais.

De acordo com promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP), essa situação foi vista em empresas de transporte coletivo da capital paulista e na compra de usinas de produção de combustíveis, conforme apontado em operações recentes.

O promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), estimou que o PCC fatura atualmente cerca de 10 bilhões de reais por ano.

A seguir, alguns exemplos de onde o dinheiro do PCC tem origem, segundo investigações dos últimos anos.

Tráfico de Drogas

O PCC é um dos maiores grupos envolvidos com o tráfico de drogas na América do Sul. Líderes da facção estão presentes em países andinos produtores de coca, facilitando a compra direta da droga, que é transportada para a Europa e África.

Há também uma cooperação entre o PCC e a Cosa Nostra italiana, uma das maiores organizações criminosas na Europa. Após a morte do traficante Jorge Rafaat Toumani no Paraguai, em 2016, o PCC assumiu o controle de rotas cruciais para o tráfico, especialmente o chamado corredor Caipira, que atravessa o Mato Grosso do Sul e o interior de São Paulo.

Além dessa rota, o PCC atua na rota do Solimões, na região amazônica, onde coopera com outros grupos para transportar drogas até Manaus, utilizando até helicópteros para evitar radares durante a temporada seca.

Jogos de Azar

Jogos de azar ilegais também geram renda para o PCC. Casas de apostas ilegais e máquinas caça-níqueis foram alvo de operações policiais que indicam que os lucros dessas atividades são usados para lavar dinheiro, inclusive em lojas de carros de luxo em São Paulo. Bloqueios financeiros bilionários foram realizados em contas de suspeitos.

Golpes Virtuais

A facção também está envolvida em golpes financeiros aplicados via telefone, aplicativos e internet. Em uma operação recente, um escritório em São Paulo, ligado a golpes digitais e com conexão ao PCC, foi fechado e 24 pessoas foram presas.

Transporte por Ônibus

Três líderes do PCC — Silvio Luiz Ferreira (Cebola), Cláudio Marcos de Almeida (Django) e Décio Luís Gouveia (Português) — eram sócios de uma empresa de ônibus que operava em São Paulo. Eles infiltraram-se nas licitações de transporte público por meio de advogados especializados e criaram empresas para vencer concorrências de forma fraudulenta.

Contratos Públicos

Em 2025, o réu Vagner Borges Dias, conhecido como Latrell Brito, foi condenado por liderar um esquema de fraudes em licitações envolvendo o PCC. A organização usava empresas de fachada para simular competição e manipular contratos públicos, muitos supervalorizados. Investigações indicam que contratos irregulares foram firmados em diversas cidades paulistas.

Outras operações policiais apontaram contratos suspeitos em serviços públicos como saúde e coleta de lixo.

Combustíveis e Lojas de Conveniência

A facção tem participação em todo o processo de produção e venda de combustíveis, segundo investigações da Operação Carbono Oculto. Controlam usinas, transporte, postos de gasolina e lojas de conveniência, que também são usadas para lavagem de dinheiro.

Em uma rede com cerca de 200 estabelecimentos, foi constatado que os clientes pagavam por combustível adulterado e em volume menor do que o indicado pelos medidores.

Veja Também