SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) — O primeiro grupo de imigrantes chegou nesta quinta-feira (3) a um centro de detenção construído pelo estado da Flórida, conhecido como a “prisão no pântano”, iniciativa apoiada pelo governo de Donald Trump. A instalação está localizada em uma área isolada de pântano, cercada por jacarés, cobras e outros bichos perigosos.
O centro foi erguido rapidamente na região do Everglades, um manguezal de difícil acesso, onde o verão pode ultrapassar 35°C, há muitos mosquitos e tempestades fortes. Este local só pode ser acessado por uma estrada única e uma pista de pouso.
O secretário estadual da Justiça, o republicano James Uthmeier, afirmou que a Flórida se sente honrada em contribuir para o esforço do presidente Donald Trump de reforçar as leis de imigração.
Uthmeier foi o principal articulador do projeto, que não recebeu fundos federais e é operado pelo governo estadual, conforme o Departamento de Segurança Interna. No entanto, o governo federal pode reembolsar despesas do estado, com um custo estimado de 450 milhões de dólares por ano e capacidade para 5 mil detentos.
Fotos oficiais mostram beliches divididas por gaiolas, embora relatos de imprensa americana indiquem que há também barracas para acolher os imigrantes. A segurança é mínima no complexo e a ameaça dos jacarés é usada como forma de impedir fugas.
Políticos do Partido Republicano têm usado a inauguração da prisão para mobilizar sua base, compartilhando memes de jacarés usando bonés do ICE, órgão de imigração dos EUA, e comercializando itens com o nome “prisão no pântano”, uma referência à famosa penitenciária da Califórnia.
Os primeiros imigrantes foram detidos pela polícia da Flórida, que trabalha com o governo federal para identificar pessoas em situação irregular já presas no estado, a fim de proceder à deportação.
De acordo com a Associated Press, membros do Partido Democrata na Assembleia Legislativa da Flórida planejam fazer uma visita oficial à prisão para monitorar as condições e o tratamento dos detentos. Eles afirmam ter a responsabilidade legal e moral de fiscalizar o local, pedir explicações e denunciar abusos para evitar que esse modelo se espalhe pelo país.
Organizações ambientais recorreram à Justiça para barrar a construção e operação do centro, alegando que o impacto sobre a fauna e flora locais não foi devidamente avaliado. As ONGs também classificam o projeto como uma medida cruel e desumana contra os imigrantes.
Na terça-feira (1º), Donald Trump visitou o centro acompanhado do governador da Flórida, Ron DeSantis, e da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem. Após a visita, Trump comentou: “Observei o local e não parece um lugar onde eu gostaria de estar fora. Estamos cercados por um pântano traiçoeiro por todos os lados, e a única saída para esses detentos é a deportação.”
