O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), tentou se autoproclamar presidente do Brasil após a derrota nas eleições presidenciais, mas não conseguiu apoio político nem reconhecimentos internacionais.
Após a eleição que confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o quarto mandato, Flávio Bolsonaro deixou o país rumo aos Estados Unidos. No país norte-americano, publicou uma carta em que questionava o sistema eleitoral brasileiro e se intitulava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Posteriormente, revisou o título da carta para “líder do Brasil”.
Contudo, a manobra não teve respaldo nem mesmo dentro do PL. O senador e líder da oposição, Rogério Marinho, afirmou que não há provas de fraude nas eleições e, portanto, o partido não apoia tais alegações.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também demonstrou descontentamento com a carta de Flávio Bolsonaro, que chegou a publicar três versões do comunicado. A última versão suavizou as afirmações ao usar os termos “líder do Brasil” em vez de “presidente eleito”.
No segundo turno, Flávio Bolsonaro obteve 48,21% dos votos, enquanto Lula recebeu 51,79%, resultados reconhecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e observadores internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Centro Carter.
Após a derrota, o senador foi alvo de uma ordem judicial para devolver passaportes, emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), devido a um risco de fuga apontado pela Polícia Federal. Apesar da ordem, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil com passaporte italiano rumo aos Estados Unidos.
O governo dos EUA emitiu vistos para Flávio e sua família, possibilitando a entrada e permanência no país. Atualmente, o senador está sob investigação da Polícia Federal em três processos, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Na América do Sul, quase todos os presidentes reconheceram a reeleição de Lula, exceto o argentino Javier Milei. Líderes como o colombiano Aberlado de la Spriella, o paraguaio Santiago Peña, o chileno José António Kast e o equatoriano Daniel Noboa manifestaram apoio à vitória do petista.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump fez declarações ambíguas, afirmando gostar de Lula mas levantando suspeitas sobre o processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas. Até o momento, nem Trump nem Milei apoiaram publicamente a autoproclamação de Flávio Bolsonaro.

